Das mais de 4,3 milhões de empresas existentes no Brasil, apenas 464 estão listadas na Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&FBovespa), sendo somente 16 do Paraná e 2 de Londrina. Os números mostram que, apesar do dinamismo que a economia do País vem experimentando nos últimos anos, ainda não é muito grande a quantidade de empresários que se arriscam a buscar financiamento no mercado de capitais.
Em 2011, até agosto, apenas 11 empresas fizeram seu IPO (sigla em inglês para Oferta Pública Inicial de ações). Durante todo o ano passado, também foram 11. ''O momento é delicado devido às incertezas econômicas na Europa e nos Estados Unidos'', reconhece Edna Holanda, gerente de Prospecção de Empresas da BM&FBOVESPA.
Os segmentos que ultimamente mais buscam o mercado de capitais no País são aqueles voltados às classes emergentes C e D e os envolvidos em obras de infraestrutura e do Pré-Sal.
Definir quando uma organização deve abrir seu capital não é simples. ''Não existe uma receita de bolo. Ela precisa despertar o interesse dos investidores. Precisa ser uma promessa de retorno'', afirma.
Mas quem pensa tratar-se de um negócio apenas para megaorganizações está errado. Segundo a gerente, o porte não é determinante para o ingresso no mercado de capitais, tanto é que a Bolsa mantém uma modalidade, o Bovespa Mais, voltado a pequenas e médias empresas. Criada há três anos, conta apenas com duas organizações.
O pré-requisito principal para o empresário que deseja abrir seu capital é não ter medo de transparência e nem de compartilhar decisões.''São muitas as variáveis para responder qual o momento ideal para uma empresa abrir seu capital. Mas basicamente, ela precisa estar madura'', afirma Bruce Mescher, sócio da Consultoria Deloitte e líder do grupo especializado em normas internacionais.
Ele lembra que a empresa passará por uma auditoria da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), no qual terá de demonstrar seus balanços dos últimos três anos. ''É preciso estar disposto a passar por um processo de transparência e de governança corporativa'', ressalta.
Entrar para a Bolsa de Valores não é exatamente uma tarefa simples que o empresário possa fazer sozinho. Ele vai precisar da ajuda de um escritório de advocacia, de uma empresa de auditoria e de um banco de investimento.
Inicialmente, a empresa precisa ter configuração jurídica de sociedade por ações (SA). Depois, tem de pedir registro como companhia aberta na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que é o órgão regulador e fiscalizador do mercado de capitais brasileiro. E finalmente precisa solicitar a listagem na BM&FBovespa.
Segundo Vinícius Brum, consultor sócio do Instituto Nacional de Desenvolvimento Gerencial (INDG), a demanda por modernização tecnológica, inovação, pesquisa e desenvolvimento de novos produtos exige das empresas volumes cada vez maiores de investimentos. ''Abrir o capital permite captar os recursos financeiros necessários a partir de investidores externos que se tornam acionistas do negócio'', afirma.
De acordo com ele, a abertura de capital e as emissões posteriores de ações são ''parte de um processo de captação de recursos'' com poucas limitações. ''Enquanto financiamentos bancários muitas vezes trazem consigo questões operacionais muito específicas como amortização, prazo para pagamento e resgate, a emissão de ações requer apenas que existam investidores interessados na empresa'', diferencia.
Mas ele ressalta que o empreendimento ''precisa saber muito bem'' o que vai fazer com os recursos captados no mercado. ''É preciso ter um plano estratégico de longo prazo que defina os objetivos e projetos estratégicos de crescimento e melhoria da operação'', ressalta.

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