Rio - Depois da compra da rede de postos Esso pela Cosan - maior produtora de açúcar e álcool brasileira - o setor sucroalcooleiro prepara nova investida no mercado de combustíveis. Segundo fontes, dois grandes grupos produtores de álcool estudam a compra de uma rede distribuidora do Centro-Sul. Na semana que vem deve ser anunciada também a compra da Texaco pelo grupo Ultra, em mais um movimento de consolidação do setor.
Segundo observadores próximos, os dois grupos sucroalcooleiros já estariam sondando algumas distribuidoras de médio porte, com o objetivo de garantir mercado firme para sua produção de álcool. A bola da vez no processo de consolidação do setor, dizem especialistas, é a AleSat, hoje com 3,2% do mercado, considerada uma das companhias mais eficientes entre as pequenas e médias do setor.
A distribuidora, porém, negou que esteja em negociação nesse sentido. No ano passado, a AleSat (fusão entre a mineira Ale e a potiguar Sat) fechou um acordo para assumir postos da distribuidora Hudson em São Paulo. No início do ano, despontou como uma das candidatas à compra da Esso, adquirida pela Cosan. Outra empresa citada pelo setor como possível alvo de grupos maiores é a Petrosul, empresa com operações nos Estados de São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Goiás e Santa Catarina.
Especialistas dizem que há uma tendência de maior concentração no mercado de combustíveis, com a aquisição de empresas de pequeno ou médio porte por grupos já consolidados. Tal movimento é resultante da melhora nas condições do setor, que hoje experimenta 10% de crescimento nas vendas (no acumulado entre janeiro e maio) e não tem mais liminares contra o recolhimento de impostos.
O primeiro grande passo foi a compra da área de distribuição da Ipiranga pela Petrobrás e pelo Ultra. Este último deve passar à segunda posição do setor ao adquirir a Texaco, com quem tem avançadas negociações, garantindo uma fatia de mercado de 20%. A Petrobrás segue na liderança, com 34,4% das vendas, mais os 3,7% que vai herdar da Ipiranga, caso a operação seja aprovada pelos órgãos de defesa da concorrência.
A Shell, que já esteve na lista das vendedoras, hoje adota postura agressiva de captação de novos postos e ocupa a segunda posição, com 13,2% das vendas do setor. Texaco e Esso vêm logo atrás, com 7,8% e 5,4%, respectivamente.
Segundo avaliação de especialistas, a compra da Esso pela Cosan abre uma nova frente no mercado, de verticalização das atividades dos produtores de álcool. A ofensiva do setor sucroalcooleiro sobre a distribuição de combustíveis começou há cerca de dois anos, com a abertura de distribuidoras controladas pela Dedini Agro e pela própria Cosan.
As duas empresas não atuavam na revenda, mas obtiveram o direito de vender diretamente sua produção a postos de terceiros, incorporando a margem de lucro da distribuição, calculada pelo mercado em até R$ 0,10 por litro.

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