Empresas argentinas pensam em abrir filiais no Brasil
PUBLICAÇÃO
domingo, 05 de agosto de 2001
Márcia De Chiara<BR>Agência Estado 
Médias e pequenas companhias argentinas estão de olho no Brasil, temendo que a crise em seu país se agrave. A intenção dessas empresas ao fincarem bandeira aqui é escapar da retração de vendas em seu país e ainda poder usufruir dos programas brasileiros de incentivos às exportações. Com o corte nos gastos públicos na Argentina, esses programas foram deixados de lado. Além da conjuntura desfavorável em seu país, o tamanho do mercado brasileiro excerce forte atração sobre essas companhias. Dependendo do produto, ele chega a ser entre cinco e dez maior do que o argentino.
Dobrou nos últimos dois meses o número de empresas argentinas interessadas em abrir escritórios comerciais e unidades de produção no País, diz Gustavo Segré, presidente do Center Group, empresa especializada em administrar empresas estrangeiras em outros países. Atualmente, a companhia gerencia 47 negócios de empresas argentinas no Brasil.
Ele conta que, em média, a sua empresa recebia de 17 a 20 consultas por mês de companhias argentinas interessadas em ter negócios no Brasil. Em julho, com a piora na situação econômica da Argentina, essa média oscilou entre 35 e 40 consultas.
Essa tendência é confirmada pelo sócio-diretor da Simonsen Associados, Antonio Cordeiro. Ele conta que, nos últimos meses, aumentou o interesse de empresas argentinas de médio porte em comprar ou associar-se com companhias brasileiras, segundo dados observados pela sua consultoria, que foi a responsável pela instalação no País do grupo argentino Arcor.
Como a moeda argentina está atrelada ao dólar, essas companhias conseguem fazer bons negócios por aqui, desembolsando pouco pela compra de ativos. Isso porque a moeda americana está sobrevalorizada em relação ao real.
O que é uma ameaça está virando uma oportunidade para as empresas argentinas, diz Cordeiro em referência à crise naquele país. Na sua avaliação, a tendência, iniciada há cinco anos, pelos grandes grupos argentinos de se instalarem no mercado brasileiro começou ser seguida, mais recentemente, pelas médias empresas. Ele ressalta também que grandes grupos instalados no Brasil demonstram interesse de expandir ainda mais os negócios por aqui.
Na avaliação de Segré, o que antes poderia ser uma relação de ódio com Brasil agora é de paixão. Ele relembra que o antagonismo entre os dois países ganhou tamanha proporção que o Brasil até chegou a ser chamado de elefante pelo ministro argentino Domingo Cavallo.
Reflexos O maior número de consultas recebidas pela Center Group já tem reflexos concretos na abertura de empresas. No primeiro semestre deste ano, por exemplo, a consultoria orientou a instalação de 10 empresas argentinas no Brasil, ante 12 novos negócios fechados no ano inteiro de 2000. Nas projeções de Segré, este ano deverá fechar com cerca de 25 empresas argentinas instaladas no País.
As empresas argentinas que agora estão interessadas em abrir negócios no Brasil faturam até US$ 5 milhões por ano, diz Segré. Ele acrescenta que a maioria das companhias pertence ao setor alimentício; químico, voltado para higiene, limpeza, celulose e tratamento de água; tecnológico; de autopeças e brinquedos didáticos de madeira.


