Empresas aprovam a metodologia
DivulgaçãoSimão Filho: resultado atestadoDivulgaçãoGallasso: nova mentalidadeDiversas empresas apresentaram resultados de projetos-pilotos da ECR durante congresso realizado em São Paulo. A Kolynos do Brasil, uma das que já utilizam as técnicas da ECR, tocou um projeto de gerenciamento de categorias junto com o supermercado Candia a fim de comprovar a metodologia no País.
O estoque tem que ser adequado, com a variedade correta. Se tiver menos produtos nas gôndolas do que o consumidor deseja, o supermercado pode passar a impressão de que está incompleto. Se houver mercadorias demais, pode parecer que é confuso, afirmou Caio Grimaldi Pereira, gerente de categoria da Kolynos.
A empresa começou a adotar as tecnologias ECR em fevereiro de 97. Através da troca eletrônica de dados, que repõem os pedidos junto a fornecedores e clientes automaticamente, nossos vendedores passaram, ao invés de tirar pedidos, a fazer negociações adicionais com os clientes, disse Pereira. Embora não revele o percentual de incremento nas vendas, ele garantiu que o volume de negócios aumentou com esta otimização de tempo.
Também conseguimos equilibrar nossos estoques. Normalmente, os pedidos dos supermercados para a Kolynos eram feitos no final do mês. Agora, foram pulverizados ao longo dos 30 dias, contou Pereira. Pelo sistema on line (EDI), quando o estoque do varejo chega num limite pré-determinado pelo lojista, a indústria emite o pedido automaticamente via computador. Atualmente, 25% do faturamento da Kolynos do Brasil é feito neste sistema.
Segundo Pereira, a principal vantagem da ECR é que a redução dos custos obtidos ao longo da cadeia de abastecimento é repassada ao consumidor. Este é o princípio básico da ECR. Quem não repassar, perderá competitividade.
O diretor de categoria da Coca-Cola, Denis Herbach, contou que a empresa brasileira está implantando a ECR há apenas dois meses. Ele espera conseguir um aumento nas vendas de 5% a 20% em dois anos, o mesmo resultado obtido pela Coca-Cola dos Estados Unidos. É preciso uma mudança de mentalidade na empresa. A ECR é um conceito para a vida inteira.
Para Orivaldo Gallasso, presidente da Associação ECR Brasil do setor industrial, um dos maiores problemas para a implantação desta tecnologia no País é justamente a necessidade de mudança na mentalidade dos empresários. As empresas precisam abrir seus números, trabalhando em conjunto para favorecer os consumidores, afirmou. Ele acredita que este momento de recessão econômica é ideal para a introdução das técnicas da ECR, já que as empresas precisam tornar-se mais competitivas. Os brasileiros acostumaram-se com a ineficiência na época da inflação. Os empresários não têm que se preocupar com crise mas em buscar a eficiência, recomendou ele, que também é diretor da Gessy Lever.
Desde que o grupo Pão de Açúcar adotou a ECR, há três anos, os preços dos produtos ao consumidor caíram entre 6% e 7%, segundo José Simão Filho, diretor do Pão de Açúcar e presidente da Associação ECR Brasil de atacado e varejo. Ele afirmou que neste ano as vendas do grupo cresceram 60% em relação ao ano passado, com a incorporação do Barateiro e Millos. As vendas das 270 lojas do grupo que adotaram a ECR aumentaram 20% em comparação a 97.
Entre os maiores benefícios apontados por Simão Filho estão a rapidez na reposição dos estoques e a diminuição das perdas dos produtos, que não estragam nas gôndolas. Numa das lojas Pão de Açúcar tínhamos uma cobertura de estoque de mais de 30 dias com um nível de falta de produto entre 25% e 30%. Com a introdução da ECR, passamos a ter dez dias de estoque com um nível de falta de 4%.
Simão Filho afirmou que 30% do mercado nacional já adotou as técnicas da ECR. Isso representa uma economia de US$ 1,5 bilhão, calcula. Nos próximos dois anos, 80% do mercado brasileiro deverá estar usando a metodologia. Segundo estudo feito pela consultoria Price WaterhouseCoopers, a implantação da ECR no Brasil deverá gerar uma economia de US$ 4,5 bilhões, resultando numa redução de até 10% nos preços dos produtos aos consumidores. (C.L.)





