Empresas apostam em recessão para 99
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sexta-feira, 11 de dezembro de 1998
Carmem Murara 
As maiores empresas instaladas no País estimam que a consequência direta do programa de estabilidade fiscal do governo federal será recessão econômica para o próximo ano. A avaliação foi feita por 69% das 122 empresas que participaram da pesquisa Termômetro Empresarial feita pela empresa de consultoria Arthur Andersen. O resulado do levantamento foi divulgado, ontem, em várias capitais, entre elas Curitiba. A mesma quantidade de empresas avalia que será afetada de forma negativa com o programa de ajuste.
A pesquisa da Arthur Andersen foi encaminhada aos 500 maiores grupos empresariais do País, em faturamento (R$ 86 bilhões), e respondida durante o mês de novembro por 122 delas. Ela garante um nível de confiança de 95% com margem de erro de 8,9%. O levantamento demostra qual a visão do empresariado em relação ao cenário econômico e o desenvolvimento interno da empresa.
Pela avaliação, 61% dos empresários apostam na retomada do crescimento somente a partir de 2000. No ano passado não tínhamos uma noção exata da crise mundial e por isso ela foi subestimada, disse o sócio diretor da Arthur Andersen no Paraná, José Écio Pereira. Ele afirmou que mais da metade dos entrevistados acredita no aumento do desemprego e os mais otimistas (25%) disseram que apostam na queda drástica das taxas de juros.
Para o empresariado, o governo federal deveria adotar como prioridade a aprovação das reformas, redução do déficit público e queda do Custo Brasil. Mas as empresas não têm otimismo quanto à redução do volume de tributos pagos, tanto que 89% responderam que a carga tributária deve aumentar em 99 sobre este ano.
O desempenho empresarial também ficou aquém da previsão das empresas e dos números registrados no ano passado. Em 97, 65% das empresas aumentaram faturamento, enquanto neste ano o índice foi de 54%. O lucro obtido foi maior para 35% das empresas, sendo que, em 97, o aumento no lucro foi para 43%.
No final do ano passado, quando o País saía de uma crise no mercado asiático, 89% do empresariado brasileiro fazia uma previsão otimista de aumento nos investimentos ao longo de 1998. Encerrado o ano, a previsão não se concretizou e o volume de investimentos foi inferior, demonstrando que apenas 44% das mesmas empresas apresentaram um crescimento no total de recursos aplicados dentro das companhias. A causa básica da queda foi a manutenção das altas taxas de juros, a carga tributária excessiva e a permanência do déficit público - os mais graves problemas do País, hoje, segundo análise dos empresários.
A avaliação para o próximo ano é mais positiva quanto aos investimentos e os pesquisados garantem que vão conseguir controlar os efeitos da inflação. Apenas 17% disseram que o faturamento de sua empresa sofrerá redução em 99.


