Campinas - Nas amplas instalações das empresas Alellyx e Canavialis, em Campinas, a 100 quilômetros de São Paulo, repletas de computadores supermodernos e sofisticados aparelhos científicos e apinhadas de pesquisadores em trajes brancos, num ambiente de arquitetura arrojada e imaculadamente limpo, o visitante tem a sensação de que está no primeiríssimo mundo da pesquisa de ponta em uma área de alta tecnologia. E está mesmo. As duas empresas, da Votorantim Novos Negócios (VNN), a holding que funciona como braço de investimentos de base tecnológica do Grupo Votorantim, têm como objetivo criar inovações lucrativas na área de interseção entre a biotecnologia e a pesquisa agrícola, de um lado, e o agronegócio, do outro.
Dos US$ 300 milhões que a VNN tem para investir em novos negócios de base tecnológica, a Alellyx e a Canavialis abocanharam US$ 30 milhões. A Alellyx foi fundada pelos cinco biólogos moleculares e bioinformatas que participaram do célebre sequênciamento do genoma da bactéria Xylella fastidiosa, que causa a doença ''amarelinho'' na laranja. Os fundadores têm participações minoritárias na empresa, controlada pela VNN.
''O sequenciamento da Xyllela criou a competência genômica no Estado de São Paulo'', diz o biólogo e bioquímico molecular Jesus Ferro, participante do projeto e hoje sócio-diretor, responsável pela área científica, da Alellyx (o nome vem de ''xylella'' escrito de trás para diante).
Os participantes do projeto Xyllela, porém, tiveram a sorte de atrair a atenção do Grupo Votorantim. Carlos Gamboa, analista de investimentos da VNN, explica que, na área ''verde'' (biotecnologia e agroindústria) da holding, a estratégia foi a de buscar culturas que não estivessem ainda no foco das grandes potências multinacionais da biotecnologia, mas, por outro lado, tivessem importância para o Brasil e interessassem a grandes grupos do agronegócio.
''Focamos no que ainda estava fora do radar dos grandes players’ (da biotecnologia)'', explica Gamboa. Por esse critério, foi feita a opção de investir na pesquisa e melhoramento da laranja, cana-de-açúcar e eucalipto.
Com 130 funcionários, dos quais 25 são mestres e 20 doutores, a Alellyx pesquisa transgênicos que combatam doenças e aumentem a produtividade naquelas três plantas. A Canavialis também é uma empresa de base tecnológica, no caso da cana-de-açúcar.
A Canavialis, por sua vez, dá consultoria sobre manejo de variedades de cana para plantadores, pesquisa novas variedades por cruzamentos (não transgênicos) e produz e comercializa mudas. No seu programa de melhoramento genético, por cruzamentos, a Canavialis produz 1,5 milhão de variedades por ano.

mockup