Ribeirão Preto - As expectativas são limitadas para a Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação (Agrishow), de Ribeirão Preto (SP). Não se sabe se a manifestação dos produtores em Brasília ou os ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC) às bases policiais de todo o estado de São Paulo espantou o público da feira, já que não se viu a mesma aglomeração de anos anteriores.
O presidente do sistema Agrishow, Sergio Magalhães, acredita que o volume de negócios deverá ser o mesmo do ano passado. Em 2005, a exposição movimentou R$ 750 milhões.
As perspectivas da indústria são contraditórias, e o setor não acredita na recuperação do agronegócio para este ano, como defendem os economistas. Porém,
as empresas apostam em nichos de mercado para driblar a crise. Com um faturamento de US$ 280 milhões em 2005, a Valtra - fabricante de maquinários e implementos - espera uma queda de 20% nas vendas para este ano. Entretanto, a montadora tem apostado na expansão do setor sucroalcooleiro no Brasil para equilibrar as finanças.
Segundo o diretor-presidente da empresa, Werner Santos, 30% do faturamento total da indústria é decorrente da cana-de-açúcar. ''A Valtra detém hoje 70% do mercado de tratores para canaviais'', informou. Já no setor de grãos, a participação da empresa é de apenas 30%. Para ele, o câmbio é o principal responsável pela perda de competitividade dos produtos brasileiros.
Para contornar a crise, a empresa criou uma nova estratégia de comercialização, voltada, principalmente, para a customização - o cliente configura sua própria máquina. ''Esse tem sido o diferencial que se tornou fundamental no fomento de negócios'', afirmou Santos.
Na montadora Case-New Holand (CNH) continua acreditando na América Latina como um pólo de desenvolvimento. Como as demais empresas, a CNH aproveita a expansão do setor sucroalcooleiro. Na contramão do agronegócio, a Massey Ferguson tem investido em equipamentos compactos para pequenos agricultores.
Em 2005, a Goodyear faturou R$ 3 bilhões e pretende investir US$ 60 milhões esse ano, US$ 4,5 milhões na divulgação de um novo pneu radial para o setor agrícola. Paralelamente à produção de pneus, a Goodyear investiu na industrialização de mangueiras e correias para implementos agrícolas. ''Como o produtor deixou de comprar máquinas, ele tem que consertar as velhas e é nesse nicho que acreditamos'', afirmou Emílio Priore, gerente de novos mercados e produtos de engenharia da Goodyear.
- - A repórter viajou para a Agrishow à convite de um pool de imprensa organizado pela Mecânica de Comunicação.

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