Empresas americanas têm ativos de R$ 170 bi no Brasil
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terça-feira, 09 de julho de 2002
Agência Estado 
Brasília Muito mais do que simpatia pelo ajuste implementado no Brasil nos últimos anos, o que está em jogo quando se fala em um novo programa de transição com o Fundo Monetário Internacional (FMI) são mais de R$ 170 bilhões que empresas e bancos dos Estados Unidos têm no Brasil. Segundo dados do próprio Banco Central (BC), esse era o total de ativos que as companhias e instituições financeiras controladas por grupos norte-americanos detinham no fim de 2000.
No ano passado, o número pode até ter sofrido alterações, mas a contar pela posição apenas dos bancos sabe-se que a exposição ainda é grande. Segundo estatísticas do FMI, as instituições financeiras daquele país, que respondem por mais da metade dos ativos norte-americanos no Brasil, tinham investimentos de cerca de R$ 78,3 bilhões no final de 2001.
Por isso, apesar da reação inicial do secretário do Tesouro dos EUA, Paul O'Neill, ter sido contrária a um novo programa de ajuda financeira ao Brasil, as apostas são de que o interesse dos próprios norte-americanos fala mais alto. A visita que o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, fará hoje ao diretor-gerente do FMI, Horst Köhler, é vista como o início das conversas.
A viagem de Fraga aos EUA esta semana foi organizada justamente em razão da crise que atinge os mercados no Brasil. O socorro de US$ 10 bilhões concedido em maio pode não ser suficiente para a transição de governo e acredita-se que, a exemplo da Coréia, que em 1997 teve apoio do FMI por causa das turbulências do período eleitoral, o Brasil seguirá a mesma linha. O próprio ministro da Fazenda, Pedro Malan, já admitiu a hipótese de um novo programa de transição com o FMI.
''O Fundo sempre mostrou mais interesse em salvar o Brasil do que a Argentina. Até porque, se o Brasil tiver problemas, o contágio será maior para as economias emergentes'', afirma José Miguel Moreno, especialista para o Brasil da consultoria norte-americana Stone & McCarthy.
Como bancos e empresas dos EUA movimentam uma quantia considerável no Brasil, isso significa que, se o País caminhar na direção seguida pela Argentina, as perdas para essas instituições serão enormes, provocando contração nos negócios deles e aumento de desemprego nos EUA.


