Empresas aéreas têm prejuízo no ano
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domingo, 11 de outubro de 1998
Agência Folha 
Há mais gente viajando de avião no Brasil este ano mas isso não se traduziu em lucros para as empresas de transporte aéreo. Ao contrário, as maiores companhias de aviação do País devem fechar o ano com prejuízo. As empresas já não vinham bem. E, neste ano, com a liberalização das tarifas aéreas, começaram a enfrentar a concorrência de verdade. O problema, segundo o brigadeiro Mauro Gandra, é que enquanto o movimento de passageiros aumentou mais de 25%, até agosto, nas rotas nacionais, os preços caíram em média 35%.
Gandra é o presidente do Sindicato das Empresas Aeroviárias e ex-ministro da Aeronáutica. Ele concorda com a avaliação de analistas do mercado financeiro, que não vêem motivo para melhorar até dezembro. O segundo semestre, que sempre é melhor para as empresas, era a esperança. Mas, agora, nada é animador, afirmou Gandra. Segundo ele, a chamada guerra das tarifas não pode ser apontada como a culpada por qualquer dificuldade que o setor atravesse.
As empresas fizeram um investimento, reduzindo os preços. Mais de 250 mil passageiros se tornaram usuários de aviões e não querem mais voltar para o segmento rodoviário, diz Gandra. As empresas vivem um grande dilema, pois terão de reduzir o número de vôos que estão dando prejuízo, afirmou Gandra.
A TAM foi a única entre as quatro maiores que registrou lucro no primeiro semestre deste ano, de acordo com balanço publicado pela empresa: US$ 7,36 milhões. A Varig e a Vasp tiveram prejuízo de US$ 170,11 milhões e US$ 36,22 milhões, respectivamente. Projetando o resultado semestral para o restante do ano, pode-se concluir que é grande a chance de as empresas verem seus lucros reduzidos.
Na TAM, a indicação é que o lucro cairá pela metade com relação ao desempenho do ano passado (lucro de US$ 31,86 milhões). Para as empresas, 98 não foi um bom ano, afirmou Mário Alberto Coelho, diretor da Austin Asis - empresa especializada na análise de balanços. Mais do que problemas com a receita, o custo do endividamento é que aumenta as dificuldades.
Além disso, os balanços têm sido vistos com certa reserva pelo mercado. Exemplos: a inclusão de valor relativo a ganho judicial, ainda não pago, como receita pela Transbrasil, no balanço do ano passado, ou de juros abaixo dos de mercado em dívidas da Varig. A Transbrasil ainda não publicou o balanço do primeiro semestre. Os números estão passando por uma auditagem e serão publicados no fim do mês.


