Empresas aderem à Economia de Comunhão
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sábado, 16 de março de 2002
Carina Paccola<br>Reportagem Local 
Diminuir as desigualdades sociais é o empenho de alguns empresários em todo o mundo, dispostos a dividir seu lucro com quem não tem nada. No Brasil isso já é realidade para 96 empresas que integram o Projeto Economia de Comunhão na Liberdade, que visa justamente gerar empregos e dividir lucros.
Em Curitiba, a distribuidora de medicamentos Prodiet, que faturou quase R$ 20 milhões em 2001, é adepta à Economia de Comunhão desde 1992.
Armando e Roseli Tortelli abriram a Prodiet em 1989, para sustentar a família. Eram três pessoas trabalhando numa área de 300 metros quadrados.
Quando ouviram a proposta da Economia de Comunhão, Armando conta que levou um choque. Tive que pensar duas vezes antes de aderir. Não me achava pronto para uma proposta ideal, lembra.
Embora já tivesse a vida pessoal pautada por sólidos princípios morais e éticos, Armando diz que no mundo da economia a situação era mais complicada. Eu era sugado pelo modo de agir do capitalismo.
A partir de 1992, o primeiro passo foi organizar a empresa, torná-la competente e trazer pessoas de fora para ajudar na nova proposta. De três, passaram a ser 12. Treinado por empresas multinacionais, onde trabalhou antes de abrir seu negócio, Armando conta que aprendeu a enxergar o concorrente como alguém a ser eliminado. Na Economia de Comunhão, era preciso ajustar o foco. A empresa deve estar a serviço do homem. Em todas as suas ações. O concorrente está competindo junto, mas não precisa ser destruído.
Armando afirma que muitas empresas agem com responsabilidade social, ao construir restaurante, ajudar creches, criar espaço de lazer para o funcionário. Tudo isso é válido e tem que ser valorizado. Mas nem sempre os benefícios são dados de forma despretensiosa. A intenção é fazer o trabalhador produzir mais.
Na Economia de Comunhão é preciso ir além. A novidade diz está concretamente na divisão de lucros. Para chegar à divisão de lucros é necessário romper com os valores da formação capitalista.
Armando afirma que a divisão de lucros é a última etapa de um conjunto de valores nos quais acredita. Você não consegue dividir lucros se sua relação com o funcionário não é correta, ou se você sonega tributos ou se você é um agente corruptor.
Hoje, a Prodiet tem 60 funcionários e 20 representantes comerciais. Ocupa 1.800 metros quadrados, na Cidade Industrial da Região Norte de Curitiba e tem uma filial em Vargem Grande (SP).


