Curitiba - Os empresários franceses se surpreenderam com a qualidade dos produtos paranaenes apresentados na rodada de negócios que aconteceu naquele país até o último domingo. Isto foi o que mais chamou a atenção, e deixou otimista, tanto os empresários que foram apresentar seus produtos em Paris e Lyon quanto a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e a secretaria de Estado da Indústria, Comércio e Assuntos do Mercosul. Ao todo 42 empresários passaram uma semana na França representando 65 empresas do Paraná. Os segmentos de alimentos orgânicos e confecção foram os que mais interessaram aos franceses.
''Lá tem muito espaço para confecção porque eles compram muito da China e estão precisando de outros fornecedores. E eles se surpreenderam com a qualidade do nosso produto. Duas empresas já agendaram para vir para cá conhecer melhor os produtos'', contou a proprietária da Boneleska, empresa de pequeno porte que produz bonés e chapéus infantis em Apucarana (Centro Norte do Estado), Siumara Michelin da Costa. A empresária voltou ao Brasil com as negociações iniciadas com uma empresa francesa, com pelo menos outras duas prospecções engatilhdas e bastante otimista: ''Hoje exportamos de 2% a 5% da nossa produção. Para o ano que vem a expectativa é aumentar para 20% a 30%.''
O mercado francês é um referencial para quem quer exportar seus produtos porque é bastante exigente. Quem consegue vender para França, portanto, abre outras portas. A afirmação é do proprietário da Pbex, empresa especializada em Comércio Exterior de Cascavel (oeste do Estado), Heroldo Secco Júnior. O empresário também participou da missão representando 14 micro e pequenas empresas paranaeses. Secco conta que o que mais chamou a atenção dos franceses entre os produtos que levou foram as peles exóticas, para confecção de roupas e acessórios, e os alimentos orgânicos. ''Temos quatro potenciais compradores para as peles'', afirmou.
Outro ponto destacado por Secco sobre mercado francês é o fato de ser uma ponte para vender para outros países. ''Muitas vezes não queremos vender para a França especificamente. Mas os compradores estão lá. Levamos chocolates que queríamos vender para a África. E deu certo'', contou.
''Comércio exterior não apresenta resultados a curto prazo. É preciso conhecer o comprador, mostar o produto, avaliar o mercado e as condições de competição. Então este trabalho de prospecção é importante'', avaliou o coordenador do Conselho Temático de Comércio Exterior e vice-presidente da Fiep, Ardisson Akel. Mas, apesar de os produtos brasileiros se destacaram no exterior, a realidade dentro do País muitas vezes é outra.
''Acho interessante que as vezes os compradores brasileiros não valorizam os produtos daqui. Você vai para fora e vê que as empresas do Paraná conseguem aceitação em um mercado exigente. Mas eles não conseguem vender aqui. Isto é bom, porém ao mesmo tempo triste'', finalizou o coordenador de Assuntos do Mercosul e Internacionais da Secretaria da Indústria e Comércio, Santiago Gallo.

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