Empresários vêem pacote com ressalvas
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quarta-feira, 13 de junho de 2007
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
O pacote do governo federal, anunciado na terça-feira, para socorro dos setores exportadores mais afetados pela sobrevalorização do real foi recebido com ressalvas por representantes regionais de sindicatos dos segmentos ''beneficiados''. A ajuda do governo é considerada positiva, mas a preocupação é que as linhas de crédito não cheguem a beneficiar de fato os empresários, como costuma ocorrer com a maioria dos planos de ajuda lançados, segundo os sindicalistas.
Conforme anunciado, as medidas prevêem a criação de linhas de crédito para as empresas, benefícios tributários e mudanças na taxação de produtos importados. O programa, chamado Revitaliza, é destinado a empresas com faturamento anual de R$ 300 milhões dos setores de calçados, artefatos de couro, têxtil, confecções e móveis. Os recursos, liberados através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), são de R$ 3 bilhões.
De acordo com Valdecir Tudino, presidente do Sindicato da Indústria Moveleira de Arapongas (Sima), ontem o Banco do Brasil desconhecia as medidas anunciadas pelo governo. ''Toda ajuda é benvinda e será boa para o setor desde que não fique só no papel. Além disso, o dinheiro pode até ser liberado, mas são impostas muitas barreiras para que os empresários consigam'', observou. Ele acrescentou que a obtenção de capital de giro com o BNDES sempre é bastante difícil.
Segundo Tudino, o setor moveleiro não chegou a reduzir produção e tem conseguido exportar, apesar da defasagem cambial. ''A minha empresa (Móveis Colorado) ficou entre as dez maiores exportadoras no ano passado. Não tenho contratos fechados e atualizo o meu preço conforme a cotação do dia'', comentou. Já o presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário do Paraná, Marcos Kolowski, lembrou da burocracia imposta pelo BNDES para liberação de crédito para micro e pequenas empresas.
''Toda ajuda é benvinda, mas também tem que haver facilidades de acesso às linhas de financiamento. Para conseguir o financiamento no BNDES há uma série de exigências, várias normas de adequação e as empresas têm sofrido muito com isso'', observou Kolowski. De acordo com ele, o setor não cresceu nos últimos anos e vem sendo penalizado desde 2005. ''Isso não ocorreu somente devido à desvalorização do dólar, mas também pela entrada dos produtos chineses'', comentou.
O presidente do Sivepar disse que para driblar a crise, o segmento está investindo em outros fatores como redução de custos na indústria e melhora da eficiência e da produtividade. Além disso, as empresas estão agregando valor aos produtos, com o desenvolvimento de marcas próprias e a produção de moda.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo da Rocha Loures, aprovou as medidas anunciadas pelo governo federal mas defende sua extensão para mais setores. ''Toda a iniciativa de desoneração de investimentos deve ser elogiada e estendida a todos os setores da indústria'', afirmou. Segundo ele, segmentos importantes, como o madeireiro, não foram atendidos pelas medidas anunciadas. ''A indústria da madeira continua perdendo rentabilidade e competitividade'', frisou.
O presidente da Fiep voltou a defender a necessidade de mudanças na política cambial e na taxa de juros como essenciais para a retomada do crescimento do país. ''Estas medidas compensatórias só são necessárias para contrabalançar um câmbio hipervalorizado'', disse. De acordo com o presidente da Fiep, a industria brasileira não reivindica proteção, porque é muito competitiva. ''O que todos nós precisamos é de um cambio justo e juros civilizados'', pontuou.


