Igualdade de condições para competir. Esta será a tônica da mensagem que os cerca de 400 representantes dos principais setores da economia brasileira pretendem apresentar ao presidente Fernando Henrique Cardoso hoje, em solenidade na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, para registrar a passagem dos três anos do Plano Real. E os instrumentos necessários para obter essa condição são a aprovação das reformas constitucionais que tramitam a passo lento no Congresso Nacional, a redução das taxas de juros e o ajuste na taxa de câmbio. ‘‘O Plano Real não corre risco no curto prazo mas, se esses ajustes não forem feitos, não sabemos o que pode acontecer no futuro’’, adverte o senador Fernando Bezerra (PMDB-RN), presidente da CNI.
A solenidade na sede da Confederação Nacional da Indústria será marcada por dois momentos, segundo Fernando Bezerra: um, pelo seu próprio discurso, no qual dirá ao presidente da República sobre as preocupações e expectativas dos setores produtivos com relação aos rumos do Plano Real. E um segundo, com a entrega de documento ‘‘Real - Conquistas, Desafios e Perspectivas’’, elaborado pelos representantes do movimento Ação Empresarial, coordenado pelo empresário Jorge Gerdau Johannpeter. A Ação Empresarial representa as cinco grandes confederações nacionais: da Indústria, do Comércio, da Agricultura, Transporte e instituições financeiras. ‘‘Os empresários virão unidos dizer ao presidente que as reformas devem ser feitas’’, enfatiza Bezerra.
Nesse documento, realizado com base em estudo feito pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (Fipe) e que foi encomendado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o governo tomará conhecimento sobre os ganhos obtidos até agora com o Real, e sobre as ameaças que pairam sobre o futuro, se algumas correções não forem feitas com urgência. Para o presidente da CNI, as altas taxas de juros, provocadas pela própria pressão do setor público na busca de recursos, e a defasagem cambial, são alguns dos fatores que limitam os investimentos atualmente.
Segundo o estudo da Fipe, a economia brasileira teria condições de crescer no mesmo ritmo dos anos do chamado ‘‘milagre econômico’’, ou seja, em torno de 7% ao ano, em lugar dos atuais 3% se as mudanças na previdência, na área tributária e na estrutura de gastos do governo fossem feitas. Para chegar a essa projeção, os economistas da Fipe não consideraram as propostas de reformas constitucionais enviadas pelo Governo ao Congresso em agosto de 1995. O trabalho leva em conta sugestões elaboradas pela própria Fipe. Para os empresários, a reforma tributária continua sendo um dos pontos mais importantes no processo de desoneração da economia. A proposta do governo, segundo eles, é muito tímida.

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