Buenos Aires - Os empresários argentinos aguardam para hoje, a posição dos colegas brasileiros sobre as cotas para as vendas de máquinas de lavar roupa. Caso não se manifestem, o governo do presidente Néstor Kirchner imediatamente passaria a aplicar as licenças não-automáticas para a entrada desses produtos no país. Kirchner está sendo muito pressionado pelos empresários a tomar medidas contra a concorrência de produtos do Brasil.
Segundo a União Industrial Argentina (UIA), a importação de máquinas de lavar do Brasil aumentou 176% no primeiro semestre, em relação ao mesmo período de 2003. Os fabricantes argentinos desse equipamento oferecem ao Brasil uma cota de 50 mil unidades para o segundo semestre. Os brasileiros defendiam 68 mil. A intenção é de que o Brasil não fique com mais de 35% do mercado local, ante os atuais 50%.
Segundo a Câmara de Fabricantes de Artefatos Elétricos da Argentina, em 1999, de cada 100 máquinas de lavar que o Brasil exportou, 25 foram para a Argentina. Atualmente, a proporção é de 75%.
Enquanto as negociações sobre as máquinas de lavar roupa permaneciam em impasse, o governo Kirchner publicou no Diário Oficial medidas contra os televisores brasileiros da Zona Franca de Manaus. A resolução indica que o Ministério da Economia aceitou um pedido da Associação de Fábricas Argentinas de Montadoras Eletrônicas para abrir uma investigação para a aplicação de salvaguardas para as exportações de televisores brasileiros.
O ministro da Economia, Roberto Lavagna, estabeleceu que, enquanto a investigação estiver em andamento, os televisores brasileiros pagarão tarifa de 21,5% para entrar no país.
Na semana passada, os argentinos arrancaram dos brasileiros a aceitação da autolimitação de vendas de fogões no mercado argentino. Ficou estabelecido que neste ano as exportações totais serão de 90 mil unidades. Para o ano que vem, a cota aumentaria para 95 mil fogões.
O acordo foi provisório e só funcionará no período de 20 de julho e 30 de setembro. Enquanto isso, uma comissão de empresários dos dois lados da fronteira tentará definir as cotas para o resto do ano e 2005.

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