Não há uma entrevista em que o presidente Lula não tente tranquilizar a população afirmando que não haverá ''pacote'' no final do ano. Ele diz ter aversão a ''pacotes''. Não é só ele, mas toda a economia. Para quem tem a memória curta, os últimos governos sempre usaram as festas de final de ano para implementar medidas econômicas que, invariavelmente, sangravam o bolso do contribuinte, os chamados pacotes econômicos.
A apreensão do empresariado é compreensiva. Com a derrubada da CPMF pelo Senado, o governo está fazendo as contas para saber como compensará a perda de R$ 40 bilhões que a contribuição gerava. Entre as alternativas que estão sendo discutidas está o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido), o que geraria algo em torno de R$ 18 bilhões.
Também estão sendo estudados cortes no orçamento. Seja de uma forma ou de outra, quem pagará a conta é o contribuinte. Os governos sobrevivem de arrecadação de impostos. Eles não produzem riquezas, quando muito, fomentam. Só que, quando se aumenta o imposto, aumenta-se o custo de produção. Quando se aumenta o custo de produção as empresas exportadoras perdem competitividade lá fora, reduzindo as exportações.
''Como diz aquela propaganda, está na hora do governo rever seus conceitos. O governo precisa mudar a forma de administrar. Até agora, os administradores públicos sempre se empenharam em criar novas despesas e mandar a conta para a população pagar. O caso da CPMF é emblemático. Ele foi criado pelo governo de Fernando Henrique Cardoso para resolver o problema do Sistema de Saúde que, naquele momento, estava um verdadeiro caos. A Saúde continua um caos e o governo atual não consegue explicar a razão disso já que a arrecadação existe'', analisa o presidente do Sescap-Ldr, José Joaquim Martins Ribeiro.
Segundo Ribeiro, como o Congresso aprovou a lei da Desvinculação das Receitas da União (DRU), o governo terá mais margem de manobra para poder amenizar a perda da CPMF. A DRU permite que o governo gaste 20% da arrecadação de impostos livremente nos projetos que considerar prioritários. Para conseguir que os senadores aprovassem a lei da DRU, o governo se comprometeu a não aumentar os impostos.
''A verdade é que o governo precisa gastar melhor o que arrecada, cuidar melhor do dinheiro. Todos os dias lemos notícias de que esta ou aquela quadrilha roubou dinheiro público. São obras superfaturadas, desvios de dinheiro de toda sorte, gastos exagerados com viagens, só para citar alguns dos problemas. Estes ralos por onde escoa o dinheiro dos impostos precisam ser fechados. Antes de pensar em aumentar as alíquotas, o governo precisa olhar para dentro da sua estrutura administrativa e reduzir cargos comissionados e acabar com a gastança desnecessária''.

Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina - Sescap-LDR.

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