Empresários se unem contra desindustrialização
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sexta-feira, 23 de março de 2012
Mie Francine Chiba <br> <br> Reportagem Local 
O processo de desindustrialização nacional mobiliza as indústrias do Paraná. No dia 3 de abril, trabalhadores e empresários paranaenses deverão realizar uma manifestação, aderindo ao Grito de Alerta em Defesa da Produção e do Emprego, uma movimentação nacional que tem o objetivo de chamar a atenção do Governo Federal para a situação do setor no País.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep-PR), Edson Campagnolo, adiantou à FOLHA que foi procurado pelas centrais sindicais preocupadas com o nível de desemprego no setor industrial. ''Não podemos continuar gerando emprego em outros países em detrimento de gerar empregos aqui. É necessário que, se o Brasil está neste bom momento, que a gente incentive e incremente a indústria nacional'', defendeu. No Paraná, a manifestação conjunta fará ''paralisação técnica'' das atividades em indústrias por cerca de meia hora.
O economista Robson Gonçalves, professor do Instituto Superior de Administração e Economia do Mercosul/Fundação Getúlio Vargas (ISAE/FGV) em Curitiba e São Paulo, reforçou que o processo de desindustrialização tem origem na concorrência estrangeira, principalmente a chinesa, aliada à valorização do real. ''A indústria chinesa está progredindo e ingressando em novos ramos. Eles começaram com os têxteis e os eletrônicos menos complexos e chegaram ao setor automobilístico. E o custo da mão de obra é muito baixo. Quando associado à forte valorização do real frente ao dólar e ao yuan (moeda chinesa), acaba tendo um barateamento muito grande dos produtos chineses.''
Por aqui, o processo tem reflexos no nível de emprego, que mesmo alto, tem variações negativas em alguns setores da cadeia produtiva. ''Temos carência de mão de obra especializada e dificuldades de preencher vagas. Mas há desemprego em alguns setores da cadeia produtiva, em algumas áreas que estão importando demais e desempregando as pessoas'', citou Campagnolo.
Hoje, de cada cinco produtos consumidos no Brasil apenas um é importando. Na cadeia de matérias-primas no Brasil, entretanto, há muitos insumos vindos de fora, ressalvou o presidente da Fiep. ''Um exemplo que acontece aqui na região é uma fábrica que usa 35% de componentes importados para fabricar uma bomba, um produto nacional, mas estes componentes estão gerando desemprego em algum setor da economia.''
Para Ary Sudan, vice-presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico (Sindimetal) de Londrina, a indústria sofre concorrência dentro e fora do País, afetando tanto as empresas exportadoras quanto aquelas que comercializam seus produtos internamente. Sudan, que atua no setor de baterias, disse que a companhia, sendo exportadora, sofre concorrência lá fora. Mesmo que não sejam pagos tributos na saída dos produtos, eles incidem internamente no processo de produção com a mão de obra e taxas de importação de maquinário, por exemplo. ''Para maquinário, é um absurdo de impostos. Temos uma dificuldade muito grande de renovar o parque. Disputar com outros países, que não pagam estes impostos, fica difícil.'' Na sua opinião, a redução da carga tributária, de juros e intervenção no câmbio poderiam aliviar a pressão.
Para Campagnolo, a posição do País frente a situação ainda é ''muito timida''. ''A gente precisa de uma reforma ampla, profunda, uma reforma tributária e fiscal. Mas antes, precisamos urgente de reforma política, porque movimentos ideológicos dos nossos congressistas não podem se sobrepôr aos interesses nacionais.''


