Empresários se mobilizam para enfrentar crise
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quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Cerca de 50 empresários da indústria, comércio, agricultura, transporte e serviços participaram ontem de uma reunião na Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) para discutir os efeitos da crise financeira internacional nas empresas paranaenses. Eles apontaram uma série de medidas que serão levadas à reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social em Brasília que acontece amanhã. A ideia é formar um grupo de trabalho para fazer o acompanhamento da crise. Participam do encontro 90 líderes empresariais de todo o Brasil.
O presidente da Fiep, Rodrigo da Rocha Loures, defendeu a redução dos juros para menos de 10% ao ano dentro de um prazo de quatro a cinco meses. A estimativa dos empresários é que um corte de um ponto percentual na taxa básica de juros da economia (Selic) poderia trazer uma economia de R$ 13 bilhões ao ano em juros que o governo federal deixaria de pagar sobre a dívida interna do País. ''O ideal seria que a Selic caísse 1,5% amanhã (hoje) e ficasse abaixo de um dígito'', disse. Hoje, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central finaliza a primeira reunião do ano para definir a taxa de juros que, atualmente, é de 13,75% ao ano.
''A crise tem origem fora do Brasil. Não precisamos necessariamente entrar em recessão'', disse. Loures destacou que há mais de dez anos, o País tem uma política monetária recessiva. Os juros praticados são mais altos do que a taxa de crescimento da economia. ''Juros recessivos em contexto de recessão é somar a fome com a vontade de comer'', comparou.
Os empresários ainda discutiram medidas como a implantação efetiva das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a ênfase nos investimentos, o controle do câmbio, desoneração dos investimentos, criação de incentivos para que as empresas reinvistam o lucro, crédito para investimentos e capital de giro, além de afastar a volatilidade cambial. ''Temos que afastar o risco de redução de demanda e consumo e, por consequência, de desemprego. O Brasil precisa de uma agenda positiva que una e não que divida'', disse. Ele disse ainda que o governo tem que ''sair da retórica do PAC e colocar em ação os investimentos que não estão acontecendo dentro do previsto''. Para Loures é preciso favorecer o consumo e, principalmente, o emprego.
Para Loures, a crise hoje é de intensidade moderada, mas se o quadro se agravar, pode ocorrer mais desemprego. ''Temos que evitar que se torne uma recessão crônica'', alertou. A preocupação dos empresários é que a economia entre em um círculo recessivo vicioso.
O presidente da Fiep lembrou ainda que houve uma mudança muito brusca no ritmo da economia. De acordo com ele, a partir de outubro de 2008, houve uma alteração brusca nas expectativas e as empresas reavaliaram os planos. Com isso, o índice de desemprego piorou em dezembro. ''O crescimento foi interrompido pela crise de crédito'', destacou.
Segundo ele, o impacto da estiagem na agricultura é maior que a crise financeira porque vai afetar a renda e as compras do setor agrícola. A estimativa é que os custos de produção tenham um aumento de 35% com a estiagem.


