Empresários são presos acusados de formar cartel
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de março de 2003
Emerson Dias<br> Reportagem local 
Os empresários Valter Domingos Sasso e Ariovaldo Ferraz de Arruda foram presos ontem por determinação da Justiça, sob suspeita de crime contra a ordem econômica (formação de cartel na venda de combustíveis em Londrina) e constrangimento a testemunhas. Os dois permanecem presos no 2º Distrito Policial (DP).
Os mandados de prisão preventiva foram determinados pelo juiz substituto da 5 Vara Criminal de Londrina, Álvaro Rodrigues Junior, e cumpridos entre 9h30 e 10 horas de ontem por duas equipes do Serviço Reservado da Polícia Militar (P2). Sasso, que é um dos diretores do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Paraná (Sindicombustíveis), foi preso no posto onde trabalha como gerente (sediado na Rua Duque de Caxias, próximo ao Centro Cívico). Arruda, responsável pela Associação dos Revendedores de Combustíveis de Londrina (Arcom), foi detido na saída de sua residência.
Os dois foram encaminhados à 10 Subdivisão Policial (SDP) e de lá seguiram para o 2º DP, acompanhados do delegado-operacional Márcio Amaro. ''Eles tiveram a prisão decretada e ficarão no distrito por tempo indeterminado'', resumiu Amaro, enquanto encaminhava ambos a uma das celas da delegacia.
Sasso recusou-se a dar entrevista. Mas Arruda falou à imprensa, destacando que desconhecia o motivo da prisão e afirmando que não haveria cartelização de combustível na cidade, onde o Procon registrou preços do litro da gasolina variando entre R$ 2,36 e R$ 2,37 em 80% dos postos pesquisados. ''Eu não vejo cartel. Alinhamento de preços é coisa do mercado. Mas vamos resolver isso na Justiça, já que sou empresário e não bandido'', disse o empresário.
O pedido de prisão preventiva foi encaminhado à 5 Vara pelo promotor especial de Defesa do Consumidor, Miguel Sogaiar, que na última terça-feira havia enviado correspondência à Agência Nacional de Petróleo (ANP) pedindo o estabelecimento de um preço máximo para os combustíveis. Sogaiar também pediu que haja intervenção da ANP na cidade, onde os preços variam entre R$ 2,35 e R$ 2,39, enquanto municípios vizinhos registram gasolina vendida por até R$ 2,25.
O advogado do Sindicombustíveis, Antonio Fidélis, conversou com Sasso na prisão e seguiu para o Fórum à tarde, na tentativa de revogar a prisão junto ao juiz Rodrigues Júnior. ''Para conseguir o habeas corpus, temos que encaminhar o caso ao Tribunal de Justiça (TJ) em Curitiba e isso só pode ser feito semana que vem'', comentou Fidélis, destacando que Arruda não está sendo acompanhado pelo jurídico do sindicato porque ele não é filiado à entidade.
O diretor da Arcom chegou a ter a prisão preventiva decretada em 2002, mas a determinação foi suspensa no último dia 20 de fevereiro pela 1 Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná. Em vez de recorrer da decisão, a Promotoria de Defesa do Consumidor decidiu encaminhar novo pedido à Justiça, resultando na prisão dos empresários.


