Empresários reduzem projeção de investimentos
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terça-feira, 24 de maio de 2005
Alberto Komatsu<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro - As incertezas sobre a economia e os juros em alta reduziram a taxa de crescimento dos investimentos empresariais previstos para este ano. A constatação é da Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, apurada em abril e divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Pela pesquisa, o otimismo dos empresários brasileiros teve recuo de três pontos porcentuais entre outubro do ano passado e abril, passando de 63% para 60% no mesmo período em que a taxa básica de juros do País (Selic, atualmente em 19,75% ao ano) mostrou sua escalada.
''Houve uma mudança suave entre outubro e abril, no sentido de haver menos empresas projetando mais investimentos do que no ano passado. Isso demonstra uma tendência que pode ocorrer nos próximos meses'', afirma o coordenador do Núcleo de Pesquisas e Análises Econômicas do Ibre/FGV, Aloisio Campelo. Como principais fatores que justificam essa redução, o economista aponta a incerteza sobre a taxa de crescimento econômico em 2005 e a política fiscal austera do governo. Com isso, a pesquisa também apurou entre outubro de 2004 e abril um aumento de 9% para 11% no número de empresas que pretendiam reduzir os investimentos.
Responderam sobre esse tema 685 empresas, que respondem por 60% do mercado. Campelo, no entanto, ressalta que os resultados colhidos em abril mostram que os empresários ainda demonstram maior interesse de investir em relação à pesquisa de outubro de 2003, quando 39% dos empresários anunciaram projetos de investimento para o ano seguinte. ''O crescimento menor do que se previa naquela época (outubro de 2004) parece ser até favorável, já que a austeridade fiscal poderia piorar o resultado ainda mais'', avaliou Campelo.
Entre os setores que apresentaram as maiores reduções na intenção de investir entre outubro do ano passado e abril estão metalurgia (de 82% para 59%), materiais elétricos e de comunicação (de 70% para 50%) e têxtil (de 66% para 40%). No sentido inverso, estão as empresas de química (de 68% para 85%), produtos farmacêuticos (de 35% para 78%) e vestuário e calçados (de 33% para 65%).


