Empresários reclamam de custos e demora de porto marítimo
A instalação de uma Estação Aduaneira do Interior em Londrina é classificada como urgente pelos empresários da cidade que trabalham com importação, para que as empresas possam competir no mundo globalizado. Para nós é uma questão de vida ou morte, sustenta o presidente da Milenia Agro Ciência, Osvaldo Pitol.
A empresa agroquímica importa US$ 70 milhões por ano. Segundo Pitol, considerando juros de 1,5% ao mês, a empresa perde 0,5% do valor das importações com despesa financeira em decorrência do tempo gasto com o desembaraço da mercadoria em porto marítimo. Isso representa US$ 350 mil por ano, observa Pitol. Todo o procedimento de desembarque e desembaraço das importações chega a demorar 10 dias, no caso da Milenia. Cada dia no Porto é um dia de despesa financeira.
Com a Eadi em Londrina e tendo o parâmetro de outros portos secos, Pitol acredita que o desembaraço das mercadorias no município levaria, no máximo, um dia. Ele ainda cita a vantagem de poder transferir o porto seco para dentro do pátio da empresa importadora, como o que ocorreu há cerca de quatro anos, quando a Milenia importou equipamentos para instalar uma fábrica de imis (herbicida), via Estação Aduaneira de Maringá. Nós conseguimos negociar e trazer um agente aduaneiro para dentro da empresa. Assim, os equipamentos só foram abertos aqui, agilizando o processo e garantindo maior segurança aos equipamentos, relata.
O presidente da empresa esclarece que apenas em casos especiais usa a Eadi/Maringá, porque não é prático trazer a mercadoria até aquela cidade e fazer novo deslocamento até Londrina. Para nós, ou trazemos direto para cá ou o processo é o mesmo que desembaraçar no porto marítimo. Ele observa que os portos marítimos, no Brasil, ainda têm resquícios fortes de corporativismo, encarecendo muito os custos de importação. Com a Eadi/Londrina, Pitol acredita que os custos para liberação das importações caia a um quarto do custo de um porto marítimo.
Outro empresário da cidade que prefere não se identificar , acompanha o desembaraço de mercadorias para uma empresa instalada em Londrina e também reclama da demora e preço cobrados pelas empresas que operam no Porto de Paranaguá. Recentemente, ficamos com alguns contêineres no pátio de uma empresa particular por cerca de 60 dias, no Porto, e pagamos R$ 20.423,84 pela estadia, conta. E os contêineres ficam no tempo, acrescenta.
O empresário acredita que o custo de depósitos para as importações, enquanto aguardam os trâmites legais para serem liberadas, cairiam sensivelmente para as empresas da região se a operação fosse feita em Londrina. Além disso, o Porto Seco atrai empresas, cria empregos e gera impostos para o município.
A Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) engrossa o coro das entidades e empresas que pretendem ver instalada, em Londrina, uma Estação Aduaneira do Interior (Eadi). O presidente da Acil George Hiraiwa considera o terminal importantíssimo para o desenvolvimento mais ordenado da região. Temos grandes empresas que exportam volumes consideráveis, destaca. Hiraiwa concorda que o Porto Seco será um fator determinante de competitividade e atração de empresas para a cidade. (B.B.)





