Empresários do setor de combustíveis e de transportadoras reagiram com indignação à iniciativa do governo estadual em elevar a alíquota do ICMS dos combustíveis e telecomunicações como medida para equilibrar as finanças públicas. O presidente da Federação das Transportadoras do Paraná (Fetranspar), Walmor Weiss, disse ontem que iria mobilizar suas lideranças urgentemente para convencer os deputados a votar contra a medida.
Para Weiss, a alíquota de 1% é pequena, ''mas considerando que os trabalhadores têm aumentos salariais de 3% a 4%, a alíquota proposta não é inexpressiva'', avalia. Ele se mostrou indignado com a possibilidade de o governo transferir seus problemas para a população resolver, ''ainda mais na calada da noite como está ocorrendo'', disse.
O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) calcula que a elevação da carga tributária representa um ingresso adicional de R$ 46 milhões no ano, o que é um valor insuficiente para o governo do Estado atender às demandas de aumento do funcionalismo e de novos investimentos.
Cid Cordeiro, coordenador do Diesse, disse que os setores de combustíveis e telecomunicações representam 35% do ICMS arrecadado no Estado. Considerando que a arrecadação é de aproximadamente R$ 360 milhões por mês, esses setores geram R$ 128 milhões. Portanto, um acréscimo de 3% geraria um adicional de R$ 4 milhões mensais.
O presidente interino do sindicato Sindicombustíveis, Eldo Bortolini, ficou preocupado com a possibilidade de o governo elevar a carga tributária da gasolina e do óleo diesel. O empresário disse que não há como evitar o repasse para o consumidor final. ''Mesmo com alíquota pequena, o efeito é devastador porque os postos já trabalham com margem reduzida de intermediação.''

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