A alta da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) de 11,68% para 18,06% ao ano provocou forte reação dos empresários do setor industrial. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva, procurou ontem as autoridades de Brasília para protestar contra o reajuste, já que, segundo ele, esses novos níveis dos custos dos financiamento tornam proibitivos quaisquer investimentos no setor produtivo.
Piva declarou também que a alta abrupta surpreende as empresas que estão com suas atividades comprometidas pelo custo elevado dos financiamentos de capital de juros e a excessiva carga tributária. ‘‘Está na hora de repensar os critérios de fixação dos índices da TJLP’’, afirmou o presidente da Fiesp. Piva declarou que a indústria não tem rentabilidade para arcar com encargos tão pesados.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq), Luiz Carlos Delben Leite, disse que o reajuste da TJLP, em proporções tão elevadas, revela que ‘‘a equipe econômica do governo não conhece a realidade do Brasil’’. Para ele, a alta dos custos dos financiamentos de longo prazo é uma medida de ‘‘absoluta insensatez’’. Delben Leite disse que a medida corresponde à decretação do fim do investimento produtivo.
RecuoQuem recorre aos recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), única fonte brasileira de financiamentos de longo prazo, não precisa se assustar com a elevação da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). Pelo menos é o que garante o diretor financeiro do banco, José Mauro Carneiro da Cunha. A partir de março ela cairá para cerca de 13%. Este ano, fechará com uma média de 11,85%, ele disse.
Esta taxa, que corrige praticamente todos os financiamentos concedidos pelo BNDES, pulou esta semana de 11,68% para 18,06% ao ano, por determinação do Banco Central, no maior salto já dado desde que foi criada, no final de 94. E desde o período de março a maio de 96 não chegava a um percentual tão elevado.
Quem obtiver financiamento agora, esclareceu Cunha, não ficará amarrado por anos a esta taxa de 18,06%, mas somente até fevereiro, já que ela é recalculada trimestralmente. Como se trata de um mecanismo de correção dos recursos emprestados pelo banco, nos trimestres em que ela está baixa, os financiamentos obtidos, em qualquer tempo, se beneficiam da correção menor. E quando ela sobe, todos pagam mais de correção, mesmo que seu financiamento tenha sido firmado em uma fase de TJLP baixa.

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