Curitiba - Os proprietários de duas das empresas acusadas de usarem cal irregular levantaram suspeitas sobre a imparcialidade dos testes realizados pela APPC. Para o proprietário da empresa apucaranense Comacal, José Rodrigues dos Santos, a divulgação das irregularidades é uma maneira de pressionar as empresas a se filiarem a APPC.
''Acho estranho que esses resultados tenham sido divulgados primeiro para a imprensa e para o Procon antes da associação entrar em contato conosco. Até agora eu não sei o motivo do cal da Comacal ter sido considerado irregular'', criticou Santos. Ele diz ter sido pressionado para se juntar à APPC. ''Falaram na época que se não me associasse eu poderia ter problemas com fiscais, que eles viriam em cima de mim, coisas desse tipo'', afirmou.
Santos afirma que teve pouquíssimos problemas para vender seu produto, ao contrário de outras marcas de empresas filiadas a APPC que, segundo ele, costumam ser rejeitadas pelos consumidores. ''Tem muita cal ruim no mercado. Estranhei ao ver na lista o nome da Adrical, por exemplo, que tem um dos melhores produtos do Paraná'', disse.
O proprietário da Adrical, Antônio Luiz Stocchero, também não se conformou com a inclusão da empresa na lista. ''Somos uma empresa pequena, que produzimos cal de maneira quase artesanal. Dessa maneira, podemos oferecer melhor qualidade. Fui informado que o problema do meu produto seria na granulagem, que não tem quase nenhuma influência no produto. Tanto que eu vendo mais caro do que as empresas associadas à APPC e ainda tenho mercado'', salienta.
Stocchero afirmou que irá baixar a altura da grelha de sua fábrica para resolver o problema. ''O interessante é que eu liguei para o fabricante das grelhas, e ele me disse que várias empresas da APPC estavam fazendo o mesmo pedido. Quer dizer, provavelmente elas também tinham problema na granulagem, só que não apareceram na lista. Eles foram avisados antes, enquanto para quem não está na associação já veio a denúncia direto'', acusa Stocchero.
O presidente da APPC, Marcelo Barcellos, garantiu que não há distinção entre as empresas. ''A auditoria compra sacos de cal em lojas e envia para um laboratório, que não tem nem conhecimento de qual marca está analisando. Não há privilégios'', destacou Barcello. (R.S.)

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