A criação de uma Agência de Desenvolvimento Regional para captação de fundos no exterior, e um estudo sobre o projeto Metronor, foram os principais pontos debatidos ontem entre lideranças empresariais de Maringá e Londrina. O encontro foi realizado em Maringá por iniciativa das associações comerciais e industriais de Maringá (Acim) e Londrina (Acil), com apoio de entidades empresariais de toda a região envolvida.
O principal ponto discutido durante o encontro foi o levantamento de detalhes sobre o Metronor, órgão criado para promover o desenvolvimento no eixo Maringá-Londrina na década de 70, e que foi extinto por razões políticas. ‘‘Os projetos do Metronor devem servir de exemplo para os planos futuros’’, disse o professor Antonio Carlos Lugnani, responsável por projetos de desenvolvimento da região Noroeste.
Ele explicou que o Metronor trouxe resultados positivos enquanto durou, mas não sobreviveu devido a falhas na transição política dos municípios ou mesmo das universidades envolvidas. ‘‘Um próximo órgão criado para defender o desenvolvimento regional deve conter mecanismos que evitem as barreiras políticas’’, afirma. Lugnani lembra ainda que é preciso evitar o uso político dos projetos que derem resultados.
O encontro analisou também uma pesquisa realizada pelo Sebrae em Londrina, onde ficou constatada que a maior parte dos insumos utilizados na região vem de fora. O consultor Herverson Feliciano diz que o resultado mostrou que 60% das empresas consultadas compram matéria-prima em outros estados. ‘‘É preciso mudar esta situação para podermos melhorar o nível de competitividade de nossas empresas’’, alerta ele.
O presidente da Acim, Hélio Costa Curta, disse que o crescimento de Maringá depende de todos os municípios da região. ‘‘Por isso vamos lutar para melhorar a infra-estrutura e a renda regional’’, afirmou. Abílio Medeiros, dirigente da Acil, acha que existem projetos que poderiam melhorar toda a região. ‘‘Porém as ações acabam sempre esbarrando nas questões políticas’’. Medeiros defende a busca de soluções em conjunto entre os municípios, sem a dependência do Poder Público.
O empresário João Noma, representante da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), disse que o futuro econômico da região é preocupante. ‘‘Precisamos nos unir e buscar soluções imediatas’’, disse. Ele alertou ainda que os líderes empresariais devem tomar cuidado para evitar expectativas que dificilmente serão alcançadas.
O presidente da Adetec, Tadeu Felismino, acha que as regiões de Maringá e Londrina têm que trabalhar em dobro em busca do desenvolvimento. ‘‘A região de Cascavel e Foz tem atrativos naturais, Curitiba é a capital econômica e política do Estado, e precisamos ser competentes para competir em igualdade’’, compara. O secretário de Desenvolvimento Regional de Maringá, Mário Hossokawa, que está viabilizando a formação de um consórcio envolvendo oito municípios da região, acha que a união do Norte e Noroeste do Estado vai viabilizar as metas a serem atingidas.

mockup