Empresários querem mais rigor do governo com Alca
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segunda-feira, 18 de junho de 2001
Agência Estado De São Paulo 
Os empresários brasileiros vão aumentar a pressão para que o governo seja mais enfático na defesa da estratégia de condicionar a criação da Alca (Área de Livre Comércio das Américas) a um maior acesso de produtos brasileiros nos Estados Unidos. Diante do crescimento do protecionismo norte-americano, evidenciado pelas medidas contra as importações de aço anunciadas há duas semanas, vamos articular com o governo uma estratégia que priorize a quebra das barreiras e o fim dos subsídios nas negociações, afirmou Osvaldo Douat, presidente da Coalizão Empresarial Brasileira e vice-presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria).
Nesta semana, representantes das duas partes se reúnem, no Ministério das Relações Exteriores, para buscar argumentos técnicos e políticos que permitam ao Brasil dar maior ênfase à questão de acesso a mercados nas negociações da Alca. Queremos maior comprometimento do governo nesse tema, diz o empresário. A reunião, de nível técnico, vai revisar a agenda de propostas que serão levadas por uma missão brasileira à próxima reunião de negociações da Alca, entre 16 e 20 de julho, no Panamá. A questão de acesso a mercados deve ser o tema predominante do encontro, mas não o único.
Os empresários vão reforçar sua preocupação com o processo de desgravação tarifária que resultará da Alca, justificando que há setores da economia brasileira que podem sofrer mais que outros com a redução de tarifas no âmbito do bloco. Para isso, os empresários começaram estudar os impactos setoriais da Alca e quais segmentos deverão ficar de fora da área de livre comércio, num primeiro momento.
Os empresários também temem as disparidades na velocidade de trabalho dos 11 grupos de negociação da Alca. Segundo Douat, é bastante visível que as discussões nos grupos de agricultura e antidumping, subsídios e medidas compensatórias avançam lentamente.
Esses temas não interessam aos EUA. O setor encaminhou, em fevereiro, documento ao governo com recomendações nas áreas de acesso a mercado, agricultura, antidumping, subsídios e medidas compensatórias, investimentos, serviços, compras governamentais, po lítica de concorrência, propriedade intelectual, solução de controvérsias e comércio eletrônico. Esse documento é a referência das discussões entre as duas partes e, até agora, segundo Douat, o governo tem demonstrado apoio à posição empresarial.


