Empresários protestam contra impostos
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quinta-feira, 25 de setembro de 1997
Agência Estado São Paulo 
Arquivo FolhaSloganSzajman e Ferreira, em campanha contra os impostos: Quem com imposto fere, com voto será feridoEmpresários reuniram ontem cerca de mil pessoas no Centro de Convenções do Anhembi, em São Paulo, para mais uma vez protestar contra o excesso de tributos e pedir a reforma tributária. O ato de ontem foi batizado de Participe ou Pague. Há mais de quatro anos, eles tentam pressionar o governo e o Congresso sem muito sucesso. Desta vez, em ano pré-eleitoral, resolveram jogar pesado. Quem com imposto fere, com voto será ferido, afirmou o presidente da Federação e do Centro do Comércio do Estado de São Paulo (FCESP), Abram Szajman, reproduzindo uma das faixas do auditório.
No mesmo tom, o vice-presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Ruy Altenfelder, avisou que haverá mais pressão em cima dos deputados que votarem a favor de mais impostos ou contra as reformas. Quem não está do nosso lado, está contra e deve saber que isso tem consequências, disse. Já o vice-presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo, Joseval Batista, foi mais direto. Com político só existe uma moeda de troca, o voto, e é com ela que vamos trabalhar, anuncia. Apesar de toda a disposição, o ato público rendeu apenas o manifesto Basta de aumento de impostos, que será entregue aos líderes das bancadas no Congresso e ao presidente da República.
Para o presidentes da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Carlos Eduardo Moreira Ferreira, agora pelo menos há boas perspectivas, como a proposta do secretário executivo do ministério da Fazenda, Pedro Parente, de reduzir os 51 impostos existentes para apenas três grandes alíquotas: municipal, estadual e federal. A proposta, inclusive, é mais audaciosa do que a defendida pelo empresariado paulista. Defendemos cinco ou seis impostos, mas se o governo propõe menos, tanto melhor, anotou Ferreira.
O problema, segundo ele, é convencer o governo e o Congresso da urgência dessas mudanças. Falta vontade política e aí a responsabilidade é de 50% para cada um, criticou. Mas vamos insistir, se não der nesse ano, vamos tentar no ano que vem e no outro até conseguir.
Um dos caminhos, além da pressão sobre o Congresso, está sendo apontado pelo próprio Moreira, que se filiou ontem ao PFL para disputar uma cadeira no Congresso. Para Joseval Batista, está na hora de se formar uma bancada de empresários que defenda os interesses do setor. Sempre nos esquivamos da participação direta na política. O problema é que os desocupados assumiram a política e hoje nos comandam.
A manifestação também serviu para que os empresários criticassem as altas taxas de juros cobradas pelos bancos, a política de abertura do mercado aos produtos estrangeiros e a omissão do governo e do Congresso para, respectivamente, propor e aprovar uma reforma tributária.
Os empresários neste ato exigem condições de igualdade com a de seus concorrentes externos, e taxas de juros e de tributação para que possam se dedicar ao aumento da produção, fazendo crescer o emprego e o bem-estar da população brasileira, diz o manifesto, assinado pela Fiesp, Associação e Federação do Comércio, Bovespa, Bolsa Mercantil de Futuros, Sociedade Rural Brasileira, Sindicato dos Bancos, Federação dos Transportes e Federação da Agricultura.


