Empresários propõem ramal alternativo
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quarta-feira, 15 de julho de 1998
Maurício Borges 
Empresários e lideranças do Norte do Paraná decidiram encaminhar nova proposta às autoridades para tentar viabilizar a chegada do gasoduto Bolívia-Brasil ao Norte do Estado. Cientes de que a mudança do trajeto original da Petrobrás é praticamente impossível, como antecipou a Folha no final do mês passado a partir de contatos com a estatal, a alternativa agora é lutar pela implantação de um ramal do gasoduto a partir de Bauru (SP), passando por Ourinhos (SP), Londrina e Apucarana, até Maringá. Os empresários se reuniram ontem na sede da Associação Comercial e Industrial de Apucarana (Acia).
A assessoria de imprensa da Petrobrás adiantou ontem à Folha que, para que a estatal possa estudar a viabilidade de estender um ramal, é necessário o envio de um levantamento detalhado da demanda de gás na região.
A alteração no traçado original, como vinham pedindo os empresários, foi considerada inviável pelos técnicos da Petrobrás porque o financiamento do projeto está atrelado ao traçado atual, os tubos já foram comprados e as licenças ambientais concedidas. A mobilização pela mudança no traçado original não é nova: há quase dois anos setores econômicos do Norte do Paraná vêm defendendo a idéia.
Para viabilizar a conquista de uma linha do gasoduto, as lideranças norte-paranaenses, pretendem agora trabalhar em duas frentes. O primeiro passo será lutar para que a região seja contemplada com uma das três termelétricas projetadas pela Copel no Estado. Também querem o engajamento dos 30 deputados federais e três senadores do Paraná nesta campanha, visando a aprovação do ramal alternativo.
Não adianta apenas mostrar força e mobilização política, se não comprovarmos que existe demanda de consumo na região, argumentou o empresário Abílio de Medeiros Júnior, ex-presidente da Acil e conselheiro da Federação das Associações Comerciais e Industriais do Paraná (Faciap). De acordo com ele, somente uma termelétrica seria suficiente para consumir 2 milhões metros cúbicos/mês de gás natural.
O vice-prefeito de Londrina, Alex Canziani defendeu a instalação da termelétrica em Apucarana porque, segundo ele, ficaria estrategicamente situada em meio ao eixo Londrina-Maringá. O prefeito Antônio Belinati, que também participou da reunião, destacou que, sem o gasoduto, o Norte do Paraná irá padecer em termos de desenvolvimento industrial. O gás natural será a energia do futuro, contribuindo para a expansão de investimentos com redução de custos, e com a vantagem de não ser poluente.
Um novo documento reivindicando o ramal do Bolívia-Brasil deve ser entregue pela comissão de empresários ao presidente Fernando Henrique Cardoso durante sua visita a Maringá, no dia 7 de agosto. No documento, além das assinaturas de dirigentes de todas associações comerciais e outras entidades representativas do Norte do Estado, irá constar o apoio de prefeitos, deputados e senadores. Também será anexado um levantamento técnico de todo o potencial de consumo de gás natural na região, e da viabilidade de implantação da termelétrica. Antes disso, será agendada uma audiência com o ministro das Minas e Energia, Raimundo Brito, e um encontro com o presidente da Copel, Ingo Hubert.
A reunião de ontem, que contou com a presença de representantes de associações comerciais e outras entidades de 15 municípios no eixo Londrina-Maringá, e até de Jacarezinho e Ourinhos, foi organizada pela Associação Comercial e Industrial de Apucarana e é sequência de uma outra, promovida pela Associação Comercial e Industrial de Londrina no final do mês passado.
O presidente da Acia, Felipe Alexandre Felipe Neto, diz que o objetivo é unir e conscientizar lideranças sobre a importância do gasoduto para o desenvolvimento da região. Ao mesmo tempo, trabalhamos para obter uma mobilização permanente e, a partir de agora, com o apoio da classe política.
O encontro teve ainda as presenças dos prefeitos de Jacarezinho, Mário Gaspar; Rubens de Souza, representante do prefeito de Ourinhos; empresário e jornalista Francisco Cunha Pereira Filho; Ardisson Akel, presidente da Associação Comercial do Paraná; Farage Kouri, presidente da Faciap; João Percy Hohmann, da Secretaria da Indústria e Comércio; Jeferson Nogaroli, presidente da Associação Comercial e Industrial de Maringá; Valter Orsi, presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina; e Otávio Cezário Neto, presidente do Grupo Promotor de Desenvolvimento Regional. (Colaborou Cláudia Lopes)


