Conscientes de que o projeto de lei do Executivo que estende o horário do comércio até as 20 horas não passará na Câmara, representantes da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) e do Sindicato do Comércio Varejista (Sincoval) levaram ontem uma proposta alternativa aos vereadores. A ideia é manter as lojas abertas até as 19 horas de segunda-feira a sexta-feira e até 18 horas no primeiro e no segundo sábado após o 5º dia útil do mês.
Na próxima terça-feira à noite, o Legislativo fará uma sessão extraordinária para votar o novo Código de Posturas do Município, que contempla o horário de funcionamento das atividades empresariais da cidade.
O projeto original, enviado à Câmara pelo prefeito Barbosa Neto (PDT), diz que as lojas poderão abrir de segunda-feira a sábado até as 20 horas. Mas ela enfrenta forte resistência entre os trabalhadores. Junto com representantes das igrejas católica e evangélica, eles lotaram as galerias do Legislativo no mês passado, durante audiência pública, para pressionar os vereadores a votar contra a projeto.
A Câmara terá de escolher entre a proposta da Prefeitura e as emendas apresentadas pela Comissão de Trabalho da Casa, que mantêm o horário do atual Código de Posturas, ou seja, de segunda a sexta, das 8 às 18 horas, e aos sábados, até as 13 horas. No primeiro sábado após o 4º dia útil do mês, a lei permite a abertura até as 18 horas. E, por meio de convenção coletiva firmada entre empregados e empregadores, o mesmo horário pode ser aplicado no sábado seguinte.
O vice-presidente da Acil, Flávio Balan, tentou convencer os vereadores de que manter as lojas abertas até as 19 horas não é bom apenas para os comerciantes. ''Será muito saudável para o trânsito da cidade porque vai diminuir o rush das 18 horas. E o trabalhador, por sua vez, vai ficar menos tempo no ônibus'', argumenta.
Durante a reunião de ontem, que foi realizada na Sala da Presidência da Câmara, nenhum vereador se comprometeu com a proposta. Eles afirmaram que querem discuti-la antes com os trabalhadores. ''Eu gostaria de debater mais com os empregados'', afirmou o presidente do Legislativo, Gerson Araújo (PSDB).
''Eu apoio a proposta de manter os dois sábados, mas quanto as 19 horas eu preciso antes ouvir o sindicato (dos empregados)'', disse Rony Alves (PTB). ''Nós precisamos aprender a dialogar, ouvir e analisar. Vamos pedir mais dados para a Acil antes de decidir'', explicou Sandra Graça (PP).
Roberto Kanashiro (PSDB) mostrou-se mais receptivo à nova proposta. ''É um avanço nas negociações. Eu já me pronunciei favorável à flexibilização do horário do comércio. Vamos ver se o sindicato aceita'', disse.
Na terça-feira, os vereadores irão votar a proposta em primeira discussão. Depois disso, o projeto sai de pauta para apresentação de possíveis novas emendas e análise das comissões internas. A expectativa é que o assunto só seja liquidado no final de outubro.
Procurado pela reportagem, o vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio (Sindecolon), Manoel Teodoro da Silva, descartou acordo sobre a nova proposta. ''O que tinha de ser discutido já foi. Tem de ficar do jeito que está'', afirmou. Segundo ele, nem mesmo a abertura das lojas até as 18 horas num segundo sábado deve ser incluída no Código de Posturas. ''Isso está sendo contemplado em nossas convenções anuais. Querem tirar o poder de negociação do sindicato'', declarou.

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