Empresários prometem parar pelo impeachment
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sexta-feira, 18 de março de 2016
Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 
Os empresários de Londrina prometem fechar as portas por meia hora na próxima terça-feira, entre 10h e 10h30, como forma de protesto contra o governo federal e a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff. O movimento Fecha Londrina foi acertado ontem, em reunião com a adesão de cerca de 20 entidades, na sede da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), convocadora do ato. Na reunião, as entidades também assinaram uma carta de apoio ao juiz federal Sérgio Moro, que conduz a Operação Lava Jato.
Durante o período em que as portas permanecerão fechadas, os empresários devem instalar faixas pretas nas fachadas dos estabelecimentos. O ato foi convocado pela própria Acil e os adesistas elegeram como slogan "Fechado por 30 minutos para não fechar para sempre".
O presidente da Acil, Valter Orsi, afirma que o movimento marcado ontem é um protesto pelo momento turbulento que o Brasil vive. "Está mais do que claro que o problema econômico que enfrentamos hoje tem origem no sistema político. Por isso, apoiamos o processo de impeachment", revela.
Durante a paralisação, os empresários devem fazer uma passeata por dois quarteirões da rua Sergipe, uma via caracteristicamente comercial. Orsi explica que o movimento não tem a pretensão de convocar outros manifestantes, mas dar apoio aos protestos já promovidos.
Ainda segundo Orsi, o ato foi marcado para a próxima terça-feira para dar tempo de avisar um maior número de pessoas. "A indignação dos empresários é tanta que queriam fazer a paralisação amanhã (hoje), queriam fechar o dia todo. Mas não podemos nos precipitar", justifica.
Sem interferências
O posicionamento enérgico da Acil em relação à crise política no governo federal, desencadeada por denúncias de corrupção, contrasta com a ausência, nas manifestações públicas, em relação à Operação Publicano. Executada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), braço especializado do Ministério Público em apuração de corrupção, a investigação levantou um esquema de cobrança e pagamento de propina entre auditores da Receita Estadual para anulação de multas e juros que levaram à sonegação de mais de R$ 30 milhões apenas nos últimos cinco anos, segundo a corregedoria da Receita Estadual. Além disso, há a acusação de que parte da propina teria financiado a campanha de reeleição do governador Beto Richa (PSDB) tanto o tucano quanto o partido negam.
Segundo Orsi, não houve manifestação porque não houve ameaças às instituições e não há notícias de tentativas de interferência nas apurações do MP ou nos trabalhos da Justiça. "Nós manifestamos preocupação, lá atrás, sobre o fato de apenas um juiz conduzir os trabalhos, mas parece que não tem prejuízo. Todos os corruptos merecem punições exemplares", defende.


