Os empresários do setor de confecções de Maringá e Cianorte, maior pólo do vestuário do Estado, aprovaram o sistema de cotas para a importação de tecidos e roupas da China. Todos acreditam que as medidas vão devolver as condições para a retomada do crescimento das indústrias da região. As duas cidades concentram mais de 600 empresas de confecções, que geram em torno de 17 mil empregos diretos.
O presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Maringá, Valdir Scalon, diz que a medida é fundamental para garantir a sobrevivência de boa parte das empresas. Ele explica que, sem condições de concorrer com os importados, que chegam ao mercado com preços até três vezes menor, as confecções estão se sujeitando a trabalhar no sistema de facção. ‘‘Boa parte das empresas de Maringá abandonou as marcas próprias e trabalham para grandes indústrias, principalmente de São Paulo’’.
Como há excesso de oferta de facção, os valores pagos pelas indústrias é baixo, diz ele. ‘‘Os empresários não têm como comprar matéria-prima, e para não fechar acabam trabalhando com um lucro mínimo ou até empatando com os custos’’. Ele acredita que com um sistema de cotas, o produto nacional retorne ao mercado. ‘‘Da maneira como está não existem condições de competir’’. Scalon compara que o custo para a produção de uma camisa hoje, na região, é de R$ 4,00, enquanto os chineses colocam a mercadoria no atacado a R$ 1,00. Para o presidente da Associação das Indústrias do Vestuário de Cianorte, Alberto Nabhan, o regime de cotas para os produtos chineses pode salvar boa parte das empresas que ainda enfrentam dificuldades. Ele afirma que a indústria nacional não tem como competir com o produto chinês. ‘‘Estamos mantendo os preços do setor há dois anos, com períodos de queda nos valores praticados pelas indústrias, mas falta uma reforma geral no sistema para podermos competir com o produto importado’’, defende.
Nabhan calcula que, hoje, de 20% a 30% das empresas da região de Cianorte estão trabalhando no sistema de facção, devido à queda nas vendas. Ele diz que as indústrias foram obrigadas a se adaptar às condições de mercado, e agora com o aquecimento das vendas e as medidas de cotas do produto importado, a situação tende a melhorar. ‘‘Acredito que as empresas comecem inclusive a contratar mais mão-de-obra com a retomada das vendas’’, diz.
O presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Cianorte, Wilson Becker, diz que a medida de cotas para os produtos chineses é fundamental para garantir a manutenção dos empregos e dos impostos gerados pelo setor. Ele também diz que não há como competir com os chineses. ‘‘O produto chega aqui pelo valor de nossa mão-de-obra’’.

mockup