As perdas na lavoura de café, com as geadas, vão se refletir na economia no próximo ano. Já o milho safrinha e o trigo, que ainda não haviam sido colhidos, têm impactos imediatos na renda do Estado. Empresários de vários setores da atividade produtiva fazem as contas do prejuízo que deverá atingir concessionárias de veículos, incorporadoras imobiliárias e varejo de modo geral.
Apesar de não quantificar as perdas, o diretor da Marajó e da Bella Via, Flávio Meneguetti, considera o fenômeno climático severo e acha que trará consequências para a economia de todo o Estado. ‘‘Mas como não dependemos somente do café – o que acontecia em 1975 – os ciclos das diversas culturas vão contribuir para uma recuperação mais rápida’’, avalia.
O fato do parque cafeeiro não ter sido dizimado, também é apontado como ponto positivo pelo empresário. ‘‘Esta geada vai comprometer a produção apenas do ano que vem’’, disse Meneguetti, afirmando que vai planejar seus negócios futuros de acordo com o mercado. ‘‘Vai haver uma retração na renda da região, impactando na economia. Os produtores rurais são parte importante da clientela das revendas de veículos. Como terão redução da capacidade de investimento, a venda de carros será afetada’’.
Meneguetti acredita que o bom cenário econômico previsto para este semestre, com crescimento do PIB e dólar estável, deve diluir os impactos das perdas com o milho safrinha e o trigo.
Para o gerente da A Vantajosa, Osmar Cassoto, a curto prazo as geadas foram positivas. Ele comemorou na semana passada o aumento nas vendas de roupas de frio: a loja desovou 2,5 mil edredons e todo o estoque de jaquetas e blusas de lã. ‘‘Mas não podemos nos esquecer que somos uma região agrícola. Por causa das geadas, daqui a seis meses vamos passar por momentos difíceis, com queda nas vendas’’, prevê.
O imobiliarista Romeu Curi, da Romeu Curi Empreendimentos, prevê uma queda de 20% nos negócios imobiliários que tradicionalmente são feitos pelos cafeicultores da região, no próximo ano. ‘‘O mercado imobiliário depende em alto grau do setor agrícola’’, afirma, contando que já perdeu três negócios por causa da geada. ‘‘Tinha três transações em andamento na dependência da safra do milho safrinha. Como minha empresa, várias imobiliaristas da cidade perderam negócios com a geada. No total, o volume acaba sendo representativo’’.
Ele enfatiza que a variedade de culturas contribui para uma melhora no quadro. ‘‘Algumas culturas se recuperam mais rápido, dando um fôlego para o mercado. Além disso, os reflexos negativos não acontecem todos de uma só vez. O café vai impactar na venda de imóveis somente no ano que vem’’. Mas há também o outro lado: por causa da geada, Curi diz que haverá aumento na oferta de propriedades rurais e, consequentemente, queda nos preços. ‘‘O volume de negócios na área rural deve aumentar porque tem muita gente acreditando na reversão do quadro’’. (C.L.)

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