São Paulo - Lobbies empresariais aproveitam o momento de enfraquecimento do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, para aumentar a pressão por mudanças na política econômica. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) chegou a pedir publicamente a demissão de Palocci, em carta enviada ao presidente Lula.
''É chegado o momento, sr. presidente, da substituição da atual equipe que conduz as políticas econômica e monetária do governo, que não está vendo o País sendo arrastado por uma crise de proporções inéditas'', diz a carta. Depois, em entrevista à Agência Estado, o presidente da Abimaq, Newton de Mello, disse que ''não gostaria de ver Palocci cair ou renunciar por conta da CPI, mas por conta da inadequação da sua política econômica - ele e o presidente do Banco Central (Henrique Meirelles)''. ''Gostaria que isso ocorresse inclusive antes do desfecho da CPI'', acrescentou.
Na carta, a Abimaq chega a sugerir que Palocci seja substituído pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e Meirelles, pelo atual presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Guido Mantega, visto como um ''desenvolvimentista''.
A reclamação dos empresários é antiga: os juros elevados e o câmbio supervalorizado têm provocado o estrangulamento da produção. Além disso, há questionamentos sobre a manutenção das metas de superávit primário, de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB), que inviabilizam investimentos públicos em áreas importantes como infra-estrutura e logística.
''O modelo neoliberal seguido por Palocci e Meirelles, que perseguem metas de inflação irreais e superávits primários fantasiosos, está provocando uma crise econômica que demorará anos para ser superada'', afirma o presidente da Abimaq.
Segundo Mello, a retração do segmento de máquinas agrícolas, cujas vendas despencaram 50% este ano, já se alastra para o setor como um todo. Em setembro (último dado disponível), as vendas de máquinas e equipamentos no País caíram 9,5% em relação ao mês anterior. A queda das exportações foi de 3,5% e das importações, de 16,8%. ''Se as empresas estão comprando menos máquinas, a produção de bens também está caindo'', observou.

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