Empresários pedem Selic a 15% ao ano
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quinta-feira, 28 de agosto de 2003
Agência Estado 
Brasília Os empresários pressionam o Planalto por um corte maior nos juros do que o mercado financeiro, o embalo da semana passada, quando o Copom reduziu a taxa Selic de 24,5% para 22% ao ano.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Paulo Skaf, defende que a taxa básica chegue ao final do ano a um patamar de 15%. Segundo ele, só assim será possível a retomada dos investimentos pelo setor produtivo.
Mas os bancos e consultorias, ouvidos pelo Banco Central (BC) no boletim Focus, projetam uma taxa de juros em 19% em dezembro.
Skaf previu que se a redução atingir 15% no final do ano, a retomada poderá começar já no último trimestre deste ano. ''É bem possível que a gente esteja no fundo do poço, com possibilidade de recuperação. Para mim, a retomada começa no último trimestre'', disse Skaf.
Ele afirmou ainda que o BC deveria ter iniciado o processo de redução da taxa Selic em abril último, pois, segundo ele, a taxa teria atingido o patamar de 15% já em agosto.
Londres Apesar de ter ficado acima das expectativas, a queda do PIB não provocou maiores preocupações entre analistas do mercado europeu. A forte desaceleração econômica, no entanto, teve o efeito de reforçar a aposta de um novo corte substancial da Selic na próxima reunião do Copom, em setembro, com as previsões variando entre 1 e 2 pontos porcentuais.
O diretor do banco de investimentos português Finantia, Miguel Guiomar, disse que o corte de 2,5 pontos promovido pelo BC neste mês pode ter sido estimulado por indicadores provisórios que mostravam a forte desaceleração da economia no segundo trimestre.
''A contração está sendo muito forte e, com isso, a pressão inflacionária, que já estava praticamente controlada, fica ainda mais afastada. Há espaço para mais cortes nos juros'', disse Guiomar. ''O Brasil vive um momento positivo nos mercados externos e o importante, a partir de agora, é que a economia dê sinais de aquecimento, pois o atual ritmo de atividade, se não for aumentado, tende a elevar a pressão social sobre o governo Lula.''
O estrategista do fundo de investimentos Argo Capital Management, Alex Alencar, disse que a queda do PIB já estava assimilada pelos mercados. ''Isso não afeta o otimismo de que a queda dos juros vai abrir espaço para o aquecimento econômico'', disse.


