Empresários pedem redução de juros
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terça-feira, 09 de novembro de 2004
Jander Ramon<br> Agência Estado 
São Paulo - Queixas sobre a carga tributária e restrições à política de juros foram a tônica do encontro do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, com cerca de 30 empresários, ontem em São Paulo. Apesar das críticas, os empresários se disseram satisfeitos com o debate ''franco e direto'' mantido durante três horas com o ministro, na suíte presidencial do Hotel Gran Meliá, em evento organizado pelo Instituto Talento Brasil.
Executivos como os presidentes do Grupo Telefônica no Brasil, Fernando Xavier, da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Benjamin Steinbruch, da Câmara Americana de Comércio de São Paulo (Amcham-SP), Sérgio Haberfeld, e da Gradiente, Eugênio Staub, destacaram a franqueza com a qual o ministro tratou temas polêmicos, como a carga tributária e as políticas de juros e de câmbio. Segundo Steinbruch, os empresários solicitaram a Palocci que o governo avance na desoneração tributária, principalmente para a atração de novos investimentos.
A reunião do ministro com os empresários vai reintroduzir a reforma tributária na agenda política brasileira. Conforme relato do senador Aloizio Mercadante (PT-SP), que também participou do encontro, o empresariado cobrou o início da unificação da Lei do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em todo o País, com o estabelecimento de apenas cinco alíquotas, dando continuidade à reforma tributária aprovada no primeiro ano de mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e negociada com os governadores.
Ao ser cobrado pelos empresários sobre os juros elevados no País, Palocci defendeu a autonomia operacional do Banco Central. ''O ministro deixou muito claro seu desejo e respeito à autonomia do BC, e que ele não deveria colocar qualquer questão sobre isso'', disse Xavier, da Telefônica. ''O objetivo é que os juros possam ser reduzidos, mas Palocci não disse quando, quanto e de que forma pode acontecer'', completou.
De acordo com Steinbruch, da CSN, foram apresentados ao ministro relatórios de alguns bancos com projeções para a Selic em torno de 20% no início de 2005. ''O ministro Palocci nos disse que isso é impossível acontecer.''
Palocci também falou aos empresários sobre as perspectivas de crescimento do País. ''O ministro gentilmente veio no explicar os detalhes da política econômica, as mudanças, o que está sendo feito e as questões do ano que vem, porque estamos preocupados com o petróleo e com a situação mundial, se haverá instabilidade ou não'', relatou Haberfeld, da Amcham.


