São Paulo - Empresários do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) se reuniram ontem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para cobrar uma política de incentivo às exportações como forma de superar o desaquecimento econômico e reduzir a vulnerabilidade externa. Liderados por Ivoncy Ioschpe, presidente do Iedi, os empresários defenderam que o principal caminho para a redução da taxa de juros a longo prazo é o aumento das exportações.
Segundo Ioschpe, no entanto, não houve pedidos para a redução da taxa básica de juros, a Selic, porque, na opinião do empresário, a questão não é política. ''A política de juros é determinada pelo BC e não pelo presidente'''', afirmou Ioschpe.
Ele fez questão de destacar que a taxa Selic não atinge o cidadão comum diretamente, numa alusão ao spread bancário. ''A gente paga três vezes ou mais a taxa Selic, que é um número técnico, para os bancos''. O filho do vice-presidente José Alencar, Josué Christiano Gomes da Silva, da Coteminas, também participou da reunião, na condição de diretor do Iedi. Alencar tem batido duro no governo por conta da taxa Selic.
Segundo o vice-presidente, baixá-la é, sim, uma decisão política. Paulo Cunha, do Grupo Ultra, Eugênio Staub, da Gradiente, e o ex-presidente do Banco Central Fernão Bracher, do BBA, completaram a mesa do encontro, realizado no escritório da Presidência da República em São Paulo.
Os empresários que participaram da reunião mostraram-se otimistas em relação à abertura do governo. ''Houve uma recessão muito grave na indústria e nós sugerimos medidas para reverter essa recessão'', afirmou Ioschpe. As principais propostas do Iedi se referem à adoção de uma política industrial para retomada do crescimento, visando a eliminar os gargalos da indústria - setores que estão operando perto do limite de capacidade podem acabar funcionando como um freio para o aumento das exportações.
Outras políticas defendidas pelo Iedi se concentram no setor de infra-estrutura, com aprimoramento da regulamentação para estimular investimentos; e no setor de bens de consumo, castigado há vários anos, para desenvolver um mercado de massa. Outra prioridade é manter o câmbio competitivo, isto é, não deixar que o dólar caia muito, o que desestimularia as vendas externas.
Ioschpe salientou que o presidente não pode perder a oportunidade de ampliar os mercados externos, aumentando exportações para destinos não tradicionais como China, Índia e Rússia, já que ele assumiu uma posição de liderança entre os países em desenvolvimento. ''O presidente passou a ser o porta-voz de um grupo de países em desenvolvimento. O ativo dessa liderança política não pode ser desperdiçado'', disse o empresário. A ampliação das vendas para o mercado externo, defendeu o presidente do Iedi, será uma força para compensar a falta de demanda no mercado interno.
O empresário afirmou que o Lula tem demonstrado correção nas suas investidas no mercado externo, mas destacou que o governo tem de agir para enfrentar a dependência do País em relação ao mercado financeiro.

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