Empresários e lideranças políticas se reuniram ontem na Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) e decidiram pleitear do governo do Estado a duplicação da PR-445, em toda a sua extensão, de Primeiro de Maio a Mauá da Serra, mesmo que, após a obra, seja cobrado pedágio. Na véspera, o governador Beto Richa havia autorizado a duplicação da BR-376, conhecida como Rodovia do Café, entre Ponta Grossa e Apucarana, trabalho que deverá ser feito em sete anos e faz parte das negociações do Estado com a Rodonorte.
A proposta de duplicação da 445 será entregue oficialmente a Richa no dia 19, quando ele visita Londrina. "Sentimos que esse é o momento. A duplicação dará mais competitividade para atrairmos empresas para a região. Nosso plano A é que a obras seja incluída no pacote da duplicação da 376", afirma o presidente da Acil, Flávio Balan.
Ele alega que os empresários e políticos presentes à reunião aceitam o pedágio somente se for cobrado após a obra feita. E também que sejam apresentadas tarifas compatíveis, abaixo daquelas praticadas hoje no Anel de Integração, que chegam a mais de R$ 10, em determinadas praças. "Queremos participar da elaboração da planilha", defende.
Depois que a BR-376 estiver duplicada, só sobrarão 69 km de pista simples entre Londrina e Paranaguá, passando por Curitiba, justamente o trecho da PR-445 até Mauá. Caso o governo aceite a proposta das lideranças, todo o trajeto entre Londrina e o porto será feito em pista dupla. "Esse é um assunto que nós temos discutido na Assembleia e que vem tomando força nos últimos tempos. Não é possível que a segunda maior cidade do Estado não seja ligada à Capital e ao porto em pista dupla", considera o deputado estadual Tercílio Turini (PPS), que articulou a reunião com a Acil. Ele lembra que não se trata apenas de melhorar o escoamento da produção, mas de garantir segurança ao cidadão paranaense.
O gerente de Logística da Cooperativa Integrada, Celso Otani, participou da reunião e disse que a empresa apoia a proposta, mesmo com a cobrança de pedágio após a obra. "Cerca de 70% dos nossos grãos passam pela PR-445. Somente 30% vão ao porto por trem", diz ele. "Os fertilizantes que nós compramos vêm de Paranaguá e passam por esta rodovia", complementa.
Segundo ele, a duplicação agilizaria o transporte e poderia inclusive diminuir o custo do frete. "Nós seríamos contra se tivéssemos de pagar pedágio para depois a concessionária fazer a duplicação", declara.
A mesma opinião tem o Sindicato das Empresas de Transportes do Estado do Paraná (Setecpar). Segundo o gerente regional, André Aguiar, pista simples e em mau estado representa mais manutenção dos veículos. "Compensa para nós pagar pedágio, desde que não seja abusivo", afirma. De acordo com ele, as tarifas das últimas concessões feitas pelo governo federal, em torno de R$ 3, são razoáveis. Aguiar diz que o tempo de viagem de um caminhão em pista dupla pode cair em até 40%.
Ele conta que o sindicato irá pedir ao Estado que o projeto de duplicação da 445 inclua uma área para o estacionamento de caminhoneiros. "A lei do motorista (Lei 12.649) exige que o profissional descanse a cada quatro horas ao volante e também à noite. Precisamos de locais adequados para isso", ressalta.

Imagem ilustrativa da imagem Empresários pedem duplicação da PR-445
mockup