Proprietário de um restaurante há 15 anos, Miguel Hiroshi Masuda chegou a ter vinte funcionários sob seu comando. Quadro que hoje está reduzido para menos da metade. ''Já temos a dificuldade em encontrar mão de obra qualificada. Mas manter um empregado é muito caro. São vários impostos que temos que pagar. Isso fez com que eu mudasse várias coisas no restaurante, como o sistema à la carte que agora é buffet'', diz ele, que conta atualmente com nove funcionários.
Além da redução, o empresário tomou outras medidas como o aumento do número de fornos e micro-ondas para reduzir o número de cozinheiros. ''Penso ainda em colocar uma máquina de refrigerantes para que as pessoas se sirvam'', revela. ''Não é que eu queira reduzir ainda mais o quadro ou deixar de contratar. Mas nossa faturamento fica muito comprometido com a folha de pagamento, pois temos um custo operacional que não tem como mexer'', referindo-se às taxas de luz, água, aluguel e manutenção.
O anúncio da proposta de diminuição de encargos na previdência, entretanto, não traz muitas expectativas a Masuda. ''A questão vai muito além do INSS. Os tributos que pagamos sobre as mercadorias, impostos sobre serviço, são muito pesados'', enumera. Sua empresa está classificada no Simples Nacional e, com isso, ele diz que consegue manter-se na ativa. ''Se fosse o regime normal, provavelmente já teria fechado o negócio e ido trabalhar no Japão.''
Outro empresário que enxurgou radicalmente o quadro de funcionários foi Luiz Santos, dono de uma floricultura há 26 anos. ''Cheguei a ter 13 funcionários, porém, nos últimos dez anos tive de dispensar quase todos. Hoje, além da minha esposa e filho, tenho apenas dois empregados, quando precisaria de, no mínimo, mais dois ou três. Todos têm de trabalhar dobrado, mas foi uma despesa que não consegui manter'', lamenta, reforçando que sua história não é pontual: ''Vários amigos estão na mesma situação. Desonerar a folha nos dará forças para continuar trabalhando'', calcula.(M.T.)

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