Empresários não apostam em recuperação da economia
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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2003
Agência Estado 
São Paulo A expectativa de que a economia não se recupere no decorrer deste ano começa a tomar conta do setor privado nacional. Durante a posse do novo conselho da Câmara Americana de Comércio (Amcham), realizada ontem em São Paulo, boa parte dos cerca de 500 empresários e executivos ligados à entidade demonstrou que o mercado vive um clima de muita cautela e expectativa, em razão das turbulências no cenário externo e do aumento dos juros e do compulsório no mercado interno. Por essas razões, muitos investimentos foram suspensos.
''Este ano está praticamente perdido'', disse o presidente do Conselho de Administração da Amcham, Sérgio Haberfeld. O excutivo, também presidente do Conselho da Dixie Toga, explicou que, neste mês, houve um ''brutal desaquecimento'' nos pedidos de embalagens, um dos principais termômetros do comportamento da economia nacional. ''Os empresários não estão investindo, pois estão cautelosos esperando o que vai acontecer. Estamos aguardando o desfecho da situação externa, pois os riscos são grandes'', destacou o diretor-superintendente do Moinho Pacífico, Lawrence Pih.
O cenário externo, com a proximidade da guerra entre os Estados Unidos e a disparada dos preços do petróleo, é outro fator que vem deixando o setor privado brasileiro pessimista. Haberfeld disse que os indicadores macroeconômicos da economia norte-americana anunciados ontem - 1,6% de inflação em janeiro, US$ 435,2 bilhões de déficit comercial em 2002 e crescimento dos pedidos de auxílio-desemprego - deverão afetar não só a economia mundial, mas também o Brasil. ''Quando os Estados Unidos pegam resfriado, nós pegamos pneumonia'', resumiu. ''O primeiro semestre será muito fraco e, dependendo da conjuntura, poderá haver recuperação no segundo semestre'', disse Pih.


