Curitiba Os empresários do Paraná lamentaram, ontem, a alta da taxa de juros Selic, de 25,5% para 26,5%, decidida anteontem pelo Conselho de Política Monetária (Copom). Mas foram unânimes em dizer que a equipe econômica do governo federal não tinha outra alternativa para conter a inflação diante deste momento de crise que o País enfrenta, tanto no cenário interno como externo.
A dúvida é saber quanto tempo os empresários resistem a esse remédio amargo, disse o presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), Marcos Domakoski. Segundo ele, o comércio vai sentir muito o impacto dessa medida, porque as prestações para o consumidor ficam mais caras e, com isso, as vendas caem. Segundo cálculos de técnicos da ACP, os consumidores que vinham pagando uma taxa média mensal de juros de 6,66%, vão passar a pagar 6,73%. O comércio do Paraná trabalhava com a expectativa de crescimento este ano entre 2% a 3%. ''Agora, essa projeção foi reduzida para 1%.'', afirmou.
O empresário lamentou, no entanto, que apenas um segmento da economia (o financeiro) acabe sendo mais uma vez o grande beneficiário dessa política.
Para o empresário Jefferson Nogaroli, presidente da Federação das Associações Comerciais, Industriais e Agropecuárias do Paraná (Faciap), o País está sob a influência de um círculo vicioso negativo, que precisa ser rompido. ''Infelizmente neste momento de crise esse círculo fica travado'', admitiu. Para sair deste impasse o empresário cobrou reformas urgentes da Previdência e do Estado, que sinalizaria a firme intenção do governo em fazer ''sua lição de casa''. ''O governo precisa deixar de ser frouxo e fazer as reformas logo'', cobrou.
Nogaroli dá a receita para o País reverter a situação. Segundo ele, não se pode gastar mais do que arrecada e o País tem que se autofinanciar com suas exportações como fazem China e Coréia, para sair rapidamente da dependência de financiamento com recursos externos.
O presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), José Carlos Gomes Carvalho, também lamentou a medida porque engessa a economia. Mas segundo ele, seria muita ingenuidade pensar que a crise mundial não fosse atingir o Brasil. Ele disse que, no caso brasileiro, a situação é mais perversa porque combina crise mundial com a dependência de recuros externos. ''O momento é difícil, mas o retorno da inflação atingiria todas as classes sociais'', lembrou.

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