Empresários investem em responsabilidade social
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quinta-feira, 06 de outubro de 2005
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba Sonho de trabalhar pela preservação da natureza e convicção pessoal são os sentimentos descritos por dois empresários bem-sucedidos, um de Curitiba e outro do Pará, no Norte do Brasil, que não pensam apenas nos lucros de seus negócios. Ambos têm a preocupação de criar alternativas que também garantam o crescimento social e econômico de comunidades carentes.
Em 1988, com capital inicial de menos de R$ 200,00 e um espaço de apenas 45 metros quadrados, Humberto Cabral abriu em Curitiba a Embrafort Embalagem Industrial, empresa que trabalha com o princípio da preservação do meio ambiente, seu grande sonho, produzindo embalagens a partir de resíduos de madeira. ''Dizem que lixo é um passivo ambiental, mas para mim é um ativo econômico'', diz ele, que transformou a pequena empresa em um grande negócio. Hoje a índústria gera 70 empregos, exporta para 45 países e ocupa uma área de 12 mil metros quadrados.
Ao mesmo tempo, ele tenta transformar a vida de outras pessoas. Para isso, a empresa aplica 5,34% de seu faturamento bruto anual (R$ 8 milhões em 2004) em programas de ação social, e mantém vários projetos de inclusão social por meio do reaproveitamento de materiais. Em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, o Projeto Andorinha reúne 70 artesãos que, com sobras do material usado pela Embrafort, produzem artigos de madeira. Para isso, a empresa fornece a matéria-prima, treinamento, equipamentos e disponibiliza a sede onde os trabalhos são expostos. ''Daí para frente, é com os artesãos'', diz Cabral, ressaltando que uma de suas preocupações é não ser assistencialista. ''Não adianta dar o peixe, tem que ensinar a pescar'', diz.
A Embrafort também está investindo no programa ''Ser Piá''. Trata-se de uma iniciativa de voluntários para atendimento a crianças e adolescentes consideradas em situação de risco. ''São crianças que estão à margem da sociedade por algum problema'', avalia Cabral. A empresa contratou profissionais, como psicólogos e pedagogos, com atendimento extensivo às famílias das crianças. O próximo passo é a implantação de uma brinquedoteca, para produção de brinquedos feitos com sobras de madeira.


