O Movimento Londrina Competitiva (MLC) vai lançar uma campanha de mídia contra a Lei da Muralha. O início da veiculação das peças não havia sido definido até a noite de ontem. Mas havia a expectativa de que pudesse ser ainda hoje. A ideia é esclarecer a população sobre os prejuízos que a lei traz para a cidade ao limitar a concorrência.
''Londrina não pode mais ficar com essas restrições. É preciso haver liberdade para as empresas concorrerem no mercado. A concorrência é saudável para os empresários, pois significa uma oportunidade de melhoria de seus processos. E também para a sociedade porque ajuda a baixar os preços'', afirma o empresário Oswaldo Pitol, que integra o MLC.
A Muralha, lei 9.689, teve início em 2005, por iniciativa do ex-prefeito Nedson Micheleti. Na época, a rede Wal-Mart pretendia se instalar em Londrina, num terreno na Rua Quintino Bocaiúva, no Centro. Alegando que o hipermercado iria provocar impacto no trânsito, o prefeito declarou a área de utilidade pública para instalação de um teatro municipal - o que nunca aconteceu - e enviou o projeto à Câmara.
Inicialmente, a lei criava um quadrilátero no centro, dentro do qual só poderiam ser implantados estabelecimentos PGTs (polos geradores de tráfego) depois de realizado Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV). Aprovada pelos vereadores, ela sempre foi vista por setores da sociedade como reserva de mercado para os supermercados já existes.
Em 2006, a Câmara propôs e aprovou a lei 10.092, que tornou a Muralha muito mais restritiva. O quadrilátero, que antes compreendia apenas o Centro de Londrina, passou a englobar quase toda a cidade. E, dentro dele, foram proibidos novos supermercados (com mais de 1.500 metros quadrados) e novas casas de material de construção (com mais de 500 metros quadrados). A alteração tornou mais claro o objetivo da lei de proteger da concorrência os estabelecimentos já instalados.
Na última sexta-feira, o empresário Anderson Fernandes, que atua no comércio de material de construção, foi preso pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) suspeito de subornar o vereador Roberto Fú para desistir de brigar contra a lei. Fú, que não aceitou a suposta propina, é autor de um projeto de lei que extingue a Muralha. Segundo denúncia feita pelo Ministério Público, Fernandes estaria agindo em nome do empresário Ewerton Muffato, do Grupo Muffato. A FOLHA procurou o advogado de Fernandes, mas ele não quis se pronunciar. Por meio da assessoria, o Grupo Muffato informou que não vai se pronunciar por enquanto.
Com a campanha, o Movimento Londrina Competitiva pretende deixar claro à população que a responsabilidade pela Lei da Muralha é do Legislativo. E também incentivar os cidadãos a pressionarem os vereadores para derrubá-la. ''Quem pode tudo sobre a Lei da Muralha é a Câmara'', ressalta Pitol.

Imagem ilustrativa da imagem Empresários fazem campanha de mídia contra a 'Muralha'
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