Empresários estudam construir gasoduto
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terça-feira, 24 de novembro de 1998
Cláudia Lopes 
O Grupo Promotor do Desenvolvimento Regional (GPDR), que reúne 40 empresários da região, estuda a construção de um gasoduto no Norte do Estado utilizando o gás encontrado pela Petrobrás na região de Pitanga, no centro do Estado. O gasoduto contemplaria as regiões de Maringá, Londrina e Cornélio Procópio.
O presidente do GPDR, Octávio Cesário Pereira Neto, afirmou ontem à Folha que o grupo já negocia a compra do gás com a Petrobrás. Na semana passada, estivemos visitando o Campo do Mato Rico, município vizinho de Pitanga. O GPDR tem interesse no poço do Mato Rico e no próximo a ser perfurado pela estatal, em Palmital.
Na primeira quinzena de dezembro representantes do GPDR reúnem-se em Londrina com técnicos da Petrobrás. Após esta reunião já deveremos ter a definição de quanto custará o gás comercializado pela estatal, disse Pereira Neto. Até agora, as negociações entre o GPDR e a Petrobrás vinham sendo feitas em sigilo. A estatal nos informou que a reserva é uma das maiores do País podendo abastecer inclusive outros Estados, além do Paraná.
Francisco Costa, um dos funcionários da Petrobrás que vêm a Londrina no próximo mês, não quis revelar se a estatal negocia o gás da região de Pitanga com outros grupos do Brasil. Como o gás é uma fonte energética limpa, que melhora a qualidade dos produtos no processo de fabricação, tem despertado o interesse de muita gente, adiantou ele. Costa afirmou estar animado com o bloco que a Petrobrás está autorizada a explorar na região de Pitanga. É um bloco onde devem ter várias acumulações comerciais de gás. A Petrobrás ainda está fazendo os testes de vazão e pressão no Campo do Mato Rico. Os testes no poço indicam um volume de 1 milhão de metros cúbicos/dia.
Pereira Neto, do GPDR, disse que o grupo contratou um engenheiro de Londrina, que já participou da construção de gasodutos em Israel e no Iraque, para elaborar o projeto do gasoduto. O projeto ficará pronto antes da reunião do mês que vem, afirmou. Segundo ele, o gasoduto de Pitanga deverá custar cerca de R$ 64 milhões. O ramal do Gasoduto Bolívia-Brasil, ligando Bauru (SP) a Londrina, deve custar R$ 380 milhões. O presidente do GPDR acredita que o custo do gás de Pitanga será bem menor do que o da Bolívia por conta desta diferença de preço.
Ele afirmou que o grupo pretende bancar uma parte do investimento com recursos da iniciativa privada e a outra com financiamentos internacionais. Já estamos negociando com um banco, garantiu, sem revelar o nome do banco.
Pereira Neto disse que o GPDR foi um dos precursores do movimento de vinda do gás natural para a região. Estamos lutando por um gasoduto desde a fundação do grupo, há dois anos. Desistimos de esperar pelo governo e resolvemos arregaçar as mangas para construir o gasoduto com recursos privados.
O grupo, que pretende criar uma empresa nos moldes da Compagás para distribuir o gás na região Norte, também estuda a possibilidade de construir uma termoelétrica na região de Pitanga para suprir indústrias de Londrina, Maringá e Cornélio Procópio com a energia elétrica gerada pelo gás. Este tipo de energia custa 50% menos do que a convencional, afirmou Pereira Neto. O GPDR já contatou 25 empresas da região para expor o projeto do gasoduto. Entre os interessados, estão a Pado e a Cacique, segundo ele.


