Em cidades do mundo em que os food trucks já fazem parte do dia a dia da população, como é o caso de Nova York, por exemplo, os comerciantes estão basicamente espalhados pelas ruas da cidade, afinal, este é o conceito original do seu surgimento, em meados do século XIX. Foi quando o americano Walter Scott começou a vender tortas e sanduíches numa carroça na cidade de Providence, em Rhode Island. No caso de Londrina, os comerciantes ainda dividem opiniões se a melhor estratégia é continuar nos eventos privados, apostar nas áreas públicas ou, quem sabe, viver uma correria e conciliar o trabalho nos dois tipos de local.
Os curitibanos Karen Godoy e Fernando Duarte possuem um food truck de picolés mexicanos, a Picolocos, desde novembro do ano passado. Antes disso, o casal tinha uma loja na Avenida Saul Elkind, região Norte da cidade, mas com o aumento da demanda o estabelecimento ficou pequeno. Hoje, eles conciliam o food truck com um quiosque no shopping Royal, além da indústria localizada no Parque Guanabara. "Ao invés de abrir mais uma loja, preferimos apostar no food truck. Os custos são bem menores e, com a crise, precisava reduzir meus custos fixos e não aumentar o valor do produto final. Além disso, o movimento está bem similar à loja e em certos eventos é até melhor", salienta Karen, que chega a vender 500 paletas num dia de bom movimento.
Na opinião deles, será interessante trabalhar em locais públicos para continuar viabilizando o negócio e eles acreditam que é possível conciliar com os eventos particulares. "Não queremos ficar restritos ao mercado privado. É uma oportunidade de divulgar a marca e atender um maior número de pessoas. Se tudo der certo, é possível abrir até mais um food truck para trabalhar de forma mais tranquila", salienta a empresária.

Sem gravata
Já os irmãos Estevão e Daniel Kunioshi abandonaram a correria de São Paulo para apostar neste nicho de mercado que está crescendo em Londrina. Estevão era um "economista engravatado" que trabalhava num banco multinacional francês e Daniel trabalhava na correria dos restaurantes da capital paulista. Baseado numa famosa hamburgueria da Lapa, onde pegaram algumas dicas com os proprietários, eles criaram o Old is Cool Burguer. "Queríamos empreender e mudar de vida. Food truck em Londrina ainda é novidade e nos estruturamos seis meses para isso. Considero o meio mais seguro e viável para investir num negócio próprio, já que o custo do investimento é menor, tem mobilidade para vender em diversos lugares e não demanda muita mão de obra", salienta Estevão.
Os irmãos decidiram que vão continuar apenas nos eventos privados neste primeiro momento, já que existe uma maior flexibilidade de horários e os locais "ainda não estão saturados". "Consideramos que atuar em locais fixos públicos tira um pouco nossa liberdade, principalmente neste momento em que os eventos privados estão muito interessantes. Queremos aproveitar isso. Pode ser que seja apenas um modismo e depois os locais públicos se tornem bacanas, mas temos que arriscar em uma das opções".
Estevão comenta que num bom evento seu food truck atinge um lucro líquido de R$ 700 a R$ 800. Ele comenta que já conseguiu atingir o salário que tirava no banco, enquanto o irmão Daniel já está faturando mais do que quando trabalhava nos restaurantes em São Paulo. "Estamos com uma expectativa positiva para 2016. Acreditamos que a alimentação fora de casa ainda é um lazer para o londrinense, que ele continua fazendo mesmo em tempos de crise". (V.L.)

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