Rio de Janeiro - A indústria avalia que saiu do fundo do poço e projeta um cenário de otimismo ''moderado'' tanto para os últimos meses do ano quanto para os seis meses que terminam em março de 2004. É o que indica a Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação divulgada ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) .
Das 1.246 empresas consultadas, responsáveis por um faturamento anual de US$ 319,5 bilhões - equivalente a 24,2% do Produto Interno Bruto (PIB) do País em 2002-, 44% responderam que a demanda global crescerá de outubro a dezembro e 18% responderam que ela vai se reduzir, o que representa um saldo de 26% de respostas positivas.
O resultado foi igual ao do mesmo período de 1999 e somente inferior, na comparação com igual período, com os 30% do último trimestre de 1996. Na projeção para os seis meses que se encerram em março de 2004, 51% das empresas responderam que os negócios estarão melhores e 12% disseram que estarão piores.
O saldo positivo de 39% só é inferior aos 44% da projeção para o período de abril a setembro de 2002, quando se acreditava que o fim do racionamento de energia traria uma recuperação dos negócios.
''Eu diria que há um moderado otimismo com relação à retomada do crescimento, com o ambiente dos negócios'', disse Aloísio Campelo Jr., coordenador do Núcleo de Banco de Dados Especiais da FGV.
Sobre a situação atual dos negócios, 22% disseram que é boa e 24% disserem que é fraca, o que dá um saldo negativo de 2% no balanço das respostas. No começo de julho, só 9% consideravam a situação dos negócios boa, enquanto 50% disseram que era fraca - um saldo negativo de 41%.
''Voltamos praticamente à situação do começo do ano, quando o atual governo assumiu'', disse Campelo. Em janeiro, 15% dos empresários consideravam a situação boa e 14%, fraca, com um saldo positivo de 1%. Campelo entende que a avaliação do presente não é tão otimista quanto a do futuro. ''Havia um pessimismo em julho. Agora avançamos para uma situação na qual eles (os empresários) estão sentindo-se mais confortáveis.''
A parcela de empresas que consideram estar com estoques excessivos caiu de 22% em julho para 15% em outubro. Os que consideraram estar com estoques insuficientes foram 5% do total, contra 3% em julho. Campelo disse que boa parte dos estoques das indústrias foi escoada em promoções.
O nível de utilização da capacidade instalada, segundo as respostas das empresas, chegou a 81,9% este mês, o maior desde os 83,9% de abril de 2001. Os setores de papel e celulose e de metalurgia, impulsionados pelas exportações, estão com mais de 90% da capacidade ocupada.
A previsão quanto ao aumento de emprego neste último trimestre é, segundo a FGV, a mais otimista desde 1991 e, se a comparação for com o mesmo trimestre do ano, desde 1989. Houve um saldo positivo de 14% nas respostas sobre se as empresas aumentarão (24%) ou reduzirão (10%) o número de empregados no trimestre.
O otimismo também se refletiu na expectativa de recuperação de margens de preços. Do total, 28% das empresas disseram que pretendem aumentar preços e 10% disseram que pretendem diminuir até dezembro (saldo positivo de 18%). No período recessivo de julho, 17% pretendiam aumentar e 26%, diminuir.

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