Rio de Janeiro - A perda de ritmo de reação dos bens de capital e bens de consumo duráveis, que vinham liderando o processo de recuperação industrial desde o segundo semestre do ano passado, pode ser ilustrada por vários indicadores. Segundo Sales, no caso de bens de capital, os dados de média móvel trimestral revelam que o nível de produção do segmento no trimestre até fevereiro foi 3% inferior ao trimestre encerrado em janeiro. Ele disse que a perda de ritmo do segmento pode ser creditada a um nível menor de confiança dos empresários, fator que atrasa os investimentos. ''Acho que o cenário deste início de ano pode ter contribuído para a reavaliação de encomendas de bens de capital, como efeito da manutenção dos juros em janeiro e do aumento de preços de matérias-primas industriais'', disse.
No caso dos duráveis, a perda do ritmo de recuperação pode estar vinculada ao endividamento dos consumidores, que foi motivado pela recuperação do crédito no segundo semestre do ano passado, e à velocidade menor do que a esperada na queda dos juros, segundo avalia Sales. O índice de média móvel trimestral mostra uma queda de 1,8% neste segmento entre os trimestres encerrados em janeiro e fevereiro. Além disso, os duráveis, que cresceram 14,8% em janeiro, ante igual mês do ano anterior, reduziram a expansão para 2,5% nessa base de comparação. Ante o mês anterior, o segmento reverteu de um crescimento de 2,1% em janeiro para uma queda de 5,4% em fevereiro.
O rendimento em queda dos trabalhadores continua impedindo uma recuperação da produção dos bens de consumo não duráveis, mas pelo menos houve uma ''estabilização'' nessa trajetória, observou Sales. Prova disso, afirmou, é que no indicador de média móvel trimestral houve estabilidade nesse segmento no trimestre encerrado em fevereiro em relação ao finalizado em janeiro, enquanto houve queda nesse indicador na indústria em geral e em segmentos como bens de capital e duráveis.
Apesar dessa ''pequena melhora'' para o setor destacada por Sales, a renda em queda manteve reduções na produção dos não duráveis em fevereiro na comparação com janeiro (-2,0%) e ante fevereiro do ano passado (-3,1%).

mockup