Empresários esperam redução do IPI sobre bens de capital
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 05 de agosto de 2004
Adriana Fernandes<br> Agência Estado 
Brasília - O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, avaliou que o anúncio de medidas para a desoneração dos investimentos produtivos, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve fazer hoje, em Belo Horizonte (MG), será um marco no relacionamento entre o governo e o setor empresarial. ''É algo inédito nos últimos anos'', afirmou.
Em entrevista à Agência Estado, Monteiro Neto disse que a expectativa da indústria é que o presidente anuncie uma nova redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente sobre máquinas e equipamentos, e a ampliação da lista de produtos beneficiados pela medida, que atualmente tem cerca de 400 ítens. A previsão é de que a alíquota do IPI caia de 3,5% para 2%. O setor industrial também espera que o Ministério da Fazenda amplie para 30 dias o prazo de recolhimento do IPI, que já tinha sido dilatado recentemente de 10 para 15 dias.
Ficando por mais tempo com o dinheiro das vendas, as empresas, principalmente as pequenas e médias, reforçariam seu capital de giro. O governo também deve anunciar medidas para estimular as aplicações financeiras de longo prazo, segundo o dirigente.
Monteiro Neto observou que a agenda para o crescimento entregue pela confederação ao presidente Lula em abril está servindo de base para a interlocução do setor empresarial com o governo federal. ''O governo aceitou essa agenda e vem dialogando com os empresários'', disse ele.
Foi o próprio presidente Lula, revelou Monteiro Neto, quem sugeriu o encontro de hoje com os presidentes das federações de indústria. ''Não adianta o empresário ficar apenas esperando e resmungando. É preciso ser proativo'', ressaltou.
Na avaliação do presidente da CNI, com o anúncio das medidas, ''o governo dá um sinal claro de que quer tornar o investimento mais barato''. Já existe hoje preocupação com o esgotamento da capacidade do parque industrial e o risco de pressão inflacionária se o aumento da demanda não for acompanhado por novos investimentos na produção. Dados da própria CNI mostram que o grau de utilização da capacidade industrial chegou a 83,3% em junho. ''Esse nível é alto'', afirmou Monteiro Neto. ''Nesse momento, precisamos de urgência para os investimentos'', observou.


