A Central Única dos Trabalhadores (CUT) e os empresários vão pressionar o Congresso a não aprovar o acordo para pagamento das perdas do FGTS. Em um raro momento de união, representantes do capital e do trabalho não querem bancar parte da dívida do governo com o fundo.
A CUT iniciará na terça-feira reuniões com lideranças políticas em Brasília para tentar convencê-las a votar contra a proposta do governo, que tem apoio da Força Sindical, Central Geral dos Trabalhadores (CGT) e Social Democracia Sindical (SDS).
A Federação do Comércio do Estado de São Paulo também vai ao Congresso na tentativa de derrotar a medida. O presidente do Sindicato Nacional dos Fabricantes de Autopeças (Sindipeças), Paulo Butori, é outro que está disposto a pressionar o Congresso. Segundo ele, uma das consequências da elevação da contribuição sobre a folha será a fuga de investimentos das empresas estrangeiras no País.
O presidente da CUT, João Felício, vai insistir em que os recursos para o pagamento venham da melhor capitalização do fundo, da Desvinculação das Receitas da União (DRU), das instituições financeiras e da multa maior sobre rescisões de contratos de empresas que promovem demissões em excesso.
Felício também aguarda para o dia 29 a votação no Conselho Curador do FGTS da proposta que prevê o pagamento, com recursos do próprio fundo, num prazo de três meses para quem tem até R$ 1 mil a receber e de no máximo três anos para os demais.
A CUT está organizando uma manifestação para o dia 5 de abril, em Brasília, e espera reunir perto de 10 mil pessoas. Nos próximos dias, iniciará uma campanha nacional em rádios, TVs e jornais para orientar os trabalhadores a recorrer à Justiça para receber o valor do FGTS integral (sem o deságio de 10% a 15%) e antes do prazo estipulado pelo governo, que é de seis anos.

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