Empresários e empregados protestam na feira
A exemplo do que ocorreu no ano passado, a segunda edição da GO TEX Show foi novamente alvo de protesto realizado por entidades de empresários e trabalhadores da indústria têxtil e de vestuário brasileira. Os manifestantes levaram faixas e cruzes - simbolizando postos de trabalho fechados no Brasil - para a frente do Expo Center Norte, em São Paulo, onde a feira está sendo realizada.
Presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Setor Têxtil, Vestuário, Couros e Calçados, Eunice Cabral afirmou que há uma "concorrência desleal" dos produtos chineses. De acordo com ela, por causa das mercadorias asiáticas que chegam ao Brasil com preços competitivos, o número de trabalhadores na indústria têxtil nacional caiu de 2,6 milhões para 1 milhão nos últimos cinco anos. "O governo precisa olhar nosso setor de outro jeito. Somos pequenos na balança comercial, mas grandes no mercado interno. Temos designer, qualidade, mas, com essa concorrência desleal, fica complicado", afirma.
Segundo a manifestante, além de reduzir a carga tributária para a indústria, o governo brasileiro deveria fiscalizar a entrada dos produtos asiáticos. De acordo com ela, muita mercadoria entra no País de forma ilegal.
Hélvio Roberto Pompeo Madeira, que é presidente da empresa que organiza a feira, a FCEM, diz que a manifestação é "democrática", mas que as entidades "erraram de lugar". "Em vez de protestarem no nosso evento, deveriam protestar no governo", afirmou. Ele disse que se trata de um evento internacional, com presença de empresários de vários países. E afirmou esperar que os brasileiros não sejam recebidos com protesto quando forem vender seus produtos no exterior.
Para Madeira, a China não é culpada pelos problemas enfrentados pela indústria têxtil brasileira. "É inadmissível que tenhamos de competir com a indústria de fora pagando 42% de impostos", declarou. O presidente também não poupou os industriais brasileiros. "As indústrias que estão fechando no Brasil não investiram em tecnologia (automação). Sem investir nesta área não dá para competir".
A segunda edição da GO TEX Show, que termina hoje em São Paulo, reúne 200 expositores, de Bangladesh, China, Hong Kong, Itália, Paquistão, Peru, Singapura e Taiwan, além de brasileiros. O evento é voltado aos varejistas e não há pronta-entrega. "A compra é feita seguindo os trâmites normais da importação", afirma Madeira. (N.B.)





