Empresários e deputados discutem projetos para Londrina
Revitalização do Calçadão e construção de estradas que cruzam o rio Tibagi foram tema de reunião, nesta sexta-feira (19)
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sexta-feira, 19 de setembro de 2025
Revitalização do Calçadão e construção de estradas que cruzam o rio Tibagi foram tema de reunião, nesta sexta-feira (19)

Integrantes do Núcleo Empresarial de Londrina reuniram-se, nesta sexta-feira (19), com os deputados estaduais eleitos pela Região Norte. O objetivo do encontro foi apresentar propostas para o desenvolvimento de Londrina e região. Na pauta de discussão estavam dois projetos considerados relevantes pelas entidades que integram o núcleo: a ressignificação do quadrilátero central de Londrina e o Projeto Eixo 2050, que prevê a construção de duas pontos sobre o rio Tibagi.
O Paraná atravessa um momento de abundância de recursos para a execução de obras em todo o Estado, segundo os parlamentares. São mais de R$ 30 bilhões disponíveis. Mas muitas obras não acontecem por falta de projetos, necessários para garantir a liberação das verbas estaduais.
A deputada Cloara Pinheiro (PSD) destacou que o município de Londrina já perdeu muitos recursos por não ter o projeto em mãos. “Nós, deputados, estamos à disposição, o governo tem dinheiro, nós temos condições de ter essas obras, mas precisamos ter uma equipe preparada para encaminhar os projetos. A cidade não tem”, disse a parlamentar. “Foram muitos recursos, muitos projetos, muitas perdas. Estamos trabalhando pela comunidade, mas perdem prazo e isso deixa a gente chateada.”
A chamada ressignificação do quadrilátero central, reivindicada pelo Núcleo Empresarial de Londrina, está com o projeto pronto. Inicialmente, a revitalização seria feita no trecho onde está o Cine Teatro Ouro Verde, tombado como patrimônio cultural estadual.
A proposta é que seja feito o enterramento da fiação elétrica e de telecomunicações, a recuperação do piso em petit pavé, a construção de quiosques, entre outras melhorias. Um investimento de R$ 29 milhões. Posteriormente, outros investimentos seriam feitos para estender as obras de revitalização por todo o calçadão.
“O projeto do Calçadão já está pronto. O governador (Ratinho Junior) falou que tem muito dinheiro. Ontem (quinta-feira), tivemos uma reunião com o (José Eduardo) Bekin (diretor-presidente da Invest Paraná). Tem mais de R$ 35 bilhões para serem distribuídos ao Paraná e, com certeza, essa obra do calçadão não é um valor tão grande, acredito que saia rápido”, afirmou a presidente da Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina), Vera Lúcia Antunes. A Acil lidera o grupo de entidades que integra o Núcleo Empresarial de Londrina. “Precisamos começar. É um anseio da população.”
A necessidade de readequação do Calçadão da avenida Paraná é uma unanimidade entre os parlamentares. Todos eles consideram a reforma fundamental para o desenvolvimento do município.
Mas em relação à construção do Eixo 2050, no entanto, há divergências. Conforme o projeto, seriam construídas duas estradas no sentido leste-oeste de Londrina. A primeira, partindo da BR-369, em Arapongas, passando por Londrina ao norte da zona de amortecimento do Parque Estadual Mata dos Godoy e seguindo até a PR-090, em Assaí (Região Metropolitana de Londrina).
A segunda estrada partiria da BR-369, em Apucarana, seguiria pela parte sul da Mata dos Godoy, passaria pelos distritos de Guaravera, Irerê e Paiquerê, pelo município de São Jerônimo da Serra e terminaria em Nova Santa Bárbara (Norte Pioneiro). As duas estradas cruzariam o rio Tibagi.
Os deputados Cobra Repórter (PSD) e Tercílio Turini (MDB) consideram viáveis apenas a estrada que ligará Apucarana ao Norte Pioneiro. “Cria um novo ramal industrial para a cidade de Londrina”, avaliou Cobra Repórter. “Se a prefeitura conseguir apresentar esse projeto, com certeza nós temos necessidade, temos possibilidade de sair a obra.”
Tercílio concorda com a rodovia que começaria em Apucarana e terminaria no Norte Pioneiro, mas acredita que a segunda estrada, até Assaí, complicaria o tráfego na região do Limoeiro. “Iria trazer tráfego pesado para o centro de Londrina. Já estamos lutando para ter os contornos Norte e Leste, para tirar o tráfego pesado de dentro da cidade. Seria um desastre para a cidade de Londrina.”
Os parlamentares concordam também que a estrada entre Apucarana e Nova Santa Bárbara teria de ser estadualizada. “Tenho certeza de que o governo tem interesse na obra, mas precisa do projeto para estadualizar”, ressaltou Turini.
Os parlamentares alertaram que se o município não correr para apresentar os projetos, as obras não saem. Por causa das eleições de 2026, tudo teria de ser aprovado até abril. “Não acredito que saiam (os projetos)”, disse Cobra Repórter.
Para Jairo Tamura (PL), a administração municipal deveria concentrar os esforços na realização dos contornos Leste e Sul, destacados por ele como prioridades. “Temos um dever de casa muito grande que são os contornos de Londrina, importantes peças para a industrialização”, comentou.
“O Contorno Leste está no papel, (no contrato de) uma nova concessão e existe ainda a possibilidade de a concessão aceitar ou não”, ponderou Tamura. “O Contorno Sul desenvolve toda a região que liga Cambé, Arapongas, Maringá.”
Independente de quais obras seriam realmente prioritárias para a região, os quatro parlamentares frisaram que nenhuma proposta avança sem projetos e que o município não dispõe de capital humano em quantidade suficiente para realizá-los neste momento.
O secretário municipal de Planejamento, Orçamento e Tecnologia, Marcos Rambalducci, informou que a administração tem atuado para corrigir essa deficiência. Além de um chamamento público aberto no momento para a contratação de 30 profissionais, o município tem recorrido à terceirização para elaboração de parte dos projetos.
O projeto do Eixo 2050, ressaltou Rambalducci, é desenvolvido em parceria com a Unimed. “Estamos ensaiando, estruturando esse formato porque são projetos um pouco mais caros, exigem uma elaboração e nós temos uma parceria com a Unimed para que eles façam o projeto para nós. Ainda estamos costurando esse arranjo, mas no momento em que a gente disparar ele, teremos também isso (parceria).”
O secretário acredita que as contratações deverão sair a tempo de o município conseguir apresentar projetos sem que esbarre na lei eleitoral. “(Os projetos) são uma prioridade e já estão nas mãos do Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina) ou da Secretaria de Obras e alguns, inclusive, em escritórios privados. Na medida em que vão sendo entregues, vamos protocolando esses projetos para já dar o andamento, garantindo o recurso necessário.”


Simoni Saris
Repórter com atuação nas áreas de Economia, Infraestrutura e Agronegócio.


