Empresários do PR reprovam nova Cofins
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de dezembro de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba A Medida Provisória 135, que instituiu a regra da não cumulatividade da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e o aumento da alíquota do imposto de 3% para 7,6%, vem provocando polêmica no meio empresarial. Representantes de federações empresariais alegam que o aumento da carga tributária no País chegou à exaustão.
Pesquisa feita pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) com 70 indústrias constatou que 80% delas estão insatisfeitas e vão pagar mais impostos. Para o presidente da Fiep, Rodrigo da Rocha Loures, a mudança no imposto atende apenas a necessidade do governo federal de aumentar seus ganhos e não atende à reivindicação dos empresários que clamam por um ''redesenhamento da reforma tributária''.
De acordo com o gerente de consultoria tributária da empresa de consultoria Deloitte, Marcio Medina, a alteração no recolhimento da Cofins vai beneficar os setores cuja cadeia produtiva é longa e o setor de exportação. Ele citou o setor das montadoras entre as beneficiadas. Por outro lado, setores como construção civil, transportes, energia elétrica, comunicações e informática serão onerados com a elevação do imposto.
Segundo Medina, as indústrias que integram cadeias produtivas longas e de exportação vão pagar o imposto somente na parcela em que agregam valor. Nesse caso a parcela do imposto será menor em relação ao recolhimento anterior. Essas empresas ainda serão mais beneficiadas à medida que elas terão direito a reivindicar créditos referentes à compra de matéria-prima para a linha de produção.
Já as empresas de serviços e setores que utilizam muita mão de obra, cujo principal insumo é a folha de pagamento, estão sendo mais prejudicadas. Há um disposivito na MP que veda a inclusão de salários como insumo e as empresas não podem se creditar desse custo. Com isso pagam a alíquota mais alta e seus custos aumentam, explicou.
O setor da construção civil está bastante preocupado com a maior carga tributária decorrente do aumento da Cofins e PIS. Para o presidente do Sinduscon no Paraná, Ramon Dória, o aumento dos custos do setor ''acaba por liquidar as possibilidades de gerar novos empregos''. Ele ressalta que a construção civil gera muitos empregos e, ao contrário de ser contemplado com redução de impostos, vem sendo cada vez mais onerado com o peso dos tributos.


